Crianças invisuais têm dificuldades de autonomia por falta de apoio nas escolas
A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) criticou a falta de apoio aos alunos invisuais nas escolas e às respectivas famílias, que disse dificultar a autonomia e integração social destas crianças.
Em declarações à Agência Lusa a propósito da realização, sábado, do seminário sobre "A Problemática da Deficiência Visual", a coordenadora da iniciativa, Manuela Silva, criticou a "falta de acompanhamento nas escolas" para a aprendizagem das actividades da vida diária.
Segundo a responsável, até ao início dos anos 80 as crianças invisuais aprendiam não apenas a linguagem Braille nos colégios públicos de educação especial, mas também a reabilitação da sua mobilidade e as actividades do quotidiano.
Com o gradual desaparecimento destas escolas especiais e a introdução do ensino integrado, "as crianças entram nas escolas normais e aprendem a ler em Braille, mas o apoio nas outras vertentes tem desaparecido ao longo dos anos e agravou-se desde 1995", precisou.
"Sobretudo as crianças com deficiências visuais que vivem no interior do país, com familiares com menos instrução, acabam por não aprender a ser autónomas, o que lhes traz muitas dificuldades de integração na sociedade", lamentou.
Estas crianças, algumas cegas e outras amblíopes, "tornam-se totalmente dependentes dos pais e algumas até têm medo de dormir sozinhas", descreveu Manuela Silva.
A responsável da ACAPO, também invisual, recorda que ainda chegou a aprender a limpar, a cozinhar e até a costurar nas escolas de educação especial.
"Nós não defendemos o regresso a estas escolas especiais, pois a ideia - certa - é de não separar as crianças do seu meio e da família. Mas nas escolas normais falta um acompanhamento específico", criticou.
Também considerou "muito grave" que "cada vez menos docentes estejam interessados a aprender Braille" para ensinar a estas crianças.
Este será um dos temas a abordar pelos participantes no seminário promovido pela ACAPO que decorrerá todo o dia de sábado no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, na Estrada das Telheiras, em Lisboa.
Para domingo está prevista uma Festa da Cultura com a apresentação de um espectáculo de fado, poesia, um recital de piano e teatro de revista com a participação de deficientes visuais.