Vítimas do genocídio no Ruanda apresentam queixa contra militares franceses
Seis vítimas do genocídio no Ruanda, em 1994, apresentaram hoje uma queixa num tribunal militar de Paris contra soldados franceses por "cumplicidade no genocídio e cumplicidade em crimes contra a humanidade".
Segundo os advogados das vítimas, a queixa contra desconhecidos, por "cumplicidade no genocídio e cumplicidade em crimes contra a humanidade", foi entregue ao juiz de instrução do tribunal das Forças Armadas, única instância judicial habilitada a julgar militares franceses por crimes cometidos no estrangeiro.
O objectivo da queixa é "estabelecer a verdade e identificar os responsáveis", sublinharam os advogados das vítimas, William Bourdon e Antoine Comte.
Bourdon e Comte pretendem pôr em relevo "as alegadas actuações individuais dos militares franceses" durante o genocídio dos tutsis.
Os advogados precisaram que se trata de determinar "actos de apoio ao genocídio e actos de participação activa, bem como a disponibilização de meios (aos hutus) com conhecimento de causa", nomeadamente entrega de material e apoio logístico.
Em Dezembro de 1998, uma missão de investigação parlamentar tinha excluído a França do genocídio ruandês, embora assinalando a existência de algumas responsabilidades devido alegadamente a "um erro global estratégico" e "disfunções institucionais".
No entanto, em Agosto de 2004, o governo do Ruanda anunciou a criação de uma comissão de inquérito para investigar a actuação francesa no genocídio.
Paris tem negado repetidamente as acusações de que armou os autores do genocídio no Ruanda, levado a cabo pela maioria hutu.