Vítimas do incêndio em Londres podem nunca ser identificadas

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Pelo menos 65 pessoas continuam desaparecidas depois do incêndio em Londres. A polícia já veio dizer que não deverá ser possível identificar todos os que perderam a vida na Torre Grenfell. Entretanto, sucedem-se os protestos sobre a real dimensão da tragédia e a polémica sobre o material com que foi revestido o edifício.

O último balanço oficial é de "pelo menos" 30 vítimas mortais. De acordo com a polícia britânica há ainda 24 pessoas em tratamento, 12 das quais em estado crítico.

Ainda assim, de acordo com a BBC o número de mortos pode chegar exceder os 60.

As autoridades britânicas revelaram que podem nunca vir a identificar as pessoas que perderam a vida no incêndio, que consumiu por completo um edifício com 24 andares e 120 apartamentos.

A rainha Isabel II fez esta sexta-feira uma visita ao local do incêndio, ouvindo os serviços de emergência, residentes e representantes da comunidade.


Entretanto, a primeira-ministra britânica anunciou uma investigação oficial sobre o incêndio. Theresa May visitou esta sexta-feira os feridos do incêndio, depois de ter enfrentado críticas ferozes por não se ter encontrado com os residentes durante a sua visita ao local na quinta-feira.

Theresa May afirmou na altura que era “necessário assegurar que esta terrível tragédia seria devidamente investigada (…) As pessoas merecem uma resposta, que lhes será dada a partir desta investigação”.tretanto, o jornal britânico The Sun avança esta sexta-feira com a informação de que existem ainda pelo menos 65 desaparecidos.


Os protestos começam a surgir nas redes sociais pelo facto de os números avançados pela polícia britânica estarem muito longe da real dimensão da tragédia.
"A microgerir a dor das pessoas"
É o caso da cantora Lily Allen. Em entrevista ao Channel 4 News acusou as autoridades de estarem a “microgerir a dor das pessoas”, depois de terem sido conhecidos números, não confirmados, que apontavam para mais de 150 mortos.


As causas deste incêndio que decorreu num edifício onde viviam entre 400 a 600 pessoas ainda não são conhecidas. Pensa-se que o revestimento da Grenfell Tower, em Londres, possa ter sido o combustível que fez propagar as chamas a partir do segundo piso, avança a BBC.

A Torre Grenfell era um bloco de apartamentos de habitação social do norte de Kensignton, dos anos de 1970, sendo gerido pelo Kensington and Chelsea Tenant Management Organisation.
Polémica sobre revestimento
As obras custaram 11 milhões de euros e seguiram o projeto da empresa Studio Architects. A ideia era aumentar a eficiência energética do edifício e tornar a estrutura de betão mais inserida na paisagem.

O edifício foi então revestido com um compósito de alumínio cujo núcleo é de polietileno, um dos plásticos mais comuns, tendo sido colocado pela empresa Harley Facades.

Um revestimento polémico porque já houve outros incêndios em edifícios que o usavam, como, por exemplo, em 2015 no Dubai.

Alguns especialistas avançaram à BBC que quando é devidamente colocado resiste ao fogo, mas outros advertem que é um material polémico que dá muitos problemas, já o polietileno arde a grande velocidade.

O presidente da Câmara de Londres já tinha apelado a um inquérito público e independente para que até ao final do verão haja respostas. “A dimensão desta tragédia começa a tornar-se cada vez mais clara e há questões urgentes que exigem respostas urgentes”, afirmou Sadiq Khan em comunicado.

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