"Vontade da nação". Líder supremo do Irão promete vingança pela morte do pai

"Vontade da nação". Líder supremo do Irão promete vingança pela morte do pai

O Ayatollah Mojtaba Khamenei declarou, este sábado, que a vingança pela morte do seu pai, Ali Khamenei, é "inevitável" e "a vontade da nação".

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Majid Asgaripour - WANA via Reuters

A declaração escrita, transmitida pela televisão estatal, foi a primeira mensagem pública do líder supremo iraniano desde o início das cerimónias fúnebres do seu pai, que foi morto num ataque conjunto dos EUA e de Israel no início do conflito, a 28 de fevereiro.

“Prometemos vingar o sangue do líder mártir e de todos os mártires destas duas guerras, punindo os assassinos criminosos e desonrados”, lê-se no comunicado. "Esta vingança é a vontade da nossa nação e deve ser cumprida, inevitavelmente".

“Estejamos lá ou não, isso será cumprido, e em breve cada pessoa livre em todo o mundo cumprirá parte desta missão divina”, acrescenta.

Segundo fontes de alto nível, Mojtaba Khamenei ficou desfigurado e sofreu outros ferimentos no mesmo ataque que vitimou o seu pai. O atual líder iraniano não é visto publicamente desde que foi nomeado líder supremo, a 8 de março.

A tensão entre Teerão e Washington aumentou esta semana após uma troca de ataques entre as forças norte-americanas e iranianas, levantando dúvidas sobre o cessar-fogo acordado entre os dois países, com o objetivo de pôr fim à guerra.

O presidente norte-americano afirmou, na quarta-feira, que o cessar-fogo tinha chegado ao fim e recusava continuar a negociar com os iranianos, que apelidou de “loucos”, “mentirosos” e “escumalha”. No entanto, na sexta-feira, Donald Trump anunciou que os dois países concordaram em continuar as negociações, embora insista que o memorando de entendimento terminou.
"Até agora, o Irão tem cumprido a sua palavra"
O representante do Irão na ONU, Amir Saeid Iravani, advertiu que o seu país não se consideraria mais vinculado ao memorando de entendimento, assinado em junho, se os EUA "continuarem a incumprir as suas obrigações".

"Se os Estados Unidos continuarem a incumprir as suas obrigações ao abrigo do memorando de entendimento, o Irão deixará de estar vinculado às suas próprias obrigações ao abrigo deste acordo", declarou na sexta-feira Amir Saeid Iravani.

O Irão afirmou este sábado que "cumpriu a sua palavra" com os Estados Unidos desde a assinatura do memorando de entendimento sobre o cessar-fogo.

"Até agora, o Irão tem cumprido a sua palavra", escreveu na rede social X o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, acrescentando que "não pode haver respeito a menos que seja mútuo".

Na sexta-feira à noite, Donald Trump acusou Teerão de conspirar para o assassinar, prometendo mais uma vez aniquilar o Irão caso isso acontecesse.

"As forças armadas dos EUA estão prontas (...) por um período de um ano, que pode ser prolongado, para dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irão", escreveu o presidente norte-americano na Truth Social, acrescentando que os EUA têm “mil mísseis prontos para serem lançados contra a República Islâmica do Irão”.

À medida que as duas partes em conflito intensificam as tensões, os mediadores trabalham para retomar o diálogo diplomático. Uma delegação do Catar, país mediador, chegou ao Irão na sexta-feira, segundo os meios de comunicação locais.

Este sábado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão reuniu-se com o seu homólogo omanita, Badr al-Busaidi, de acordo com o seu gabinete, para discutir mecanismos para a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz.

O estreito é um dos principais focos nas negociações. Teerão bloqueou o estreito em retaliação pelo ataque israelo-americano ao país, a 28 de fevereiro, provocando a subida dos preços do petróleo.

Agora, Teerão permite apenas uma rota de navegação ao longo da sua costa e descarta qualquer regresso à situação pré-guerra.

Os Estados Unidos, por sua vez, exigem que o Irão declare publicamente que cessará os ataques a navios no estreito e que todas as rotas sejam abertas sem portagens na via navegável que transportava um quinto do fornecimento global de petróleo antes da guerra.

c/agências
PUB