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Voos da CIA a caminho de Guantánamo passaram por território britânico

Voos da CIA a caminho de Guantánamo passaram por território britânico

O director da CIA, Michael Hayden, informou que em 2002 dois aviões da agência, com alegados terroristas a bordo, aterraram para abastecer em Diego Garcia, atol britânico no Índico. Um dos prisioneiros foi depois transportado para a base de Guantánamo, em Cuba.

Alexandre Brito, RTP /
Diego Garcia é um atol no Oceano Índico a Sul da Índia e desde 1973 que é utilizado como base militar britânica e norte-americana DR

A informação é fornecida depois de variadas vezes a CIA ter negado a passagem de voos com alegados terroristas a caminho de Guantanámo por território britânico desde os ataques de 11 de Setembro.

Agora, o director, Michael Hayden, afirma que afinal as informações fornecidas ao Governo britânico "estavam erradas".

A CIA, diz, reviu no ano passado os relatórios de voo e descobriu que em 2002 dois aviões, em ocasiões separadas, passaram por Diego Garcia para reabastecer.

Dos dois alegados terroristas que seguiam a bordo dos aparelhos, um deles terá mesmo sido levado para a prisão de Guantánamo. O outro foi libertado no seu país, diz a CIA.

De acordo com Michael Hayden, nenhum dos dois foi torturado.

Gordon Brown considera anúncio "muito sério"

O primeiro-ministro britânico disse hoje, em reacção ao reconhecimento da CIA, que "é claro que o assunto é muito sério". Mas sublinhou que os Estados Unidos expressaram o seu "arrependimento" à Grã-Bretanha.

Gordon Brown disse ainda que o país tem que colocar em prática procedimentos que garantam que um tal incidente não volta a suceder.

No Parlamento, David Miliband, ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmou que o assunto foi discutido com a Secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice. "Concordámos que os erros cometidos nestes dois casos não são aceitáveis e ela partilhou o meu profundo desagrado com o facto de a informação ter sido revelada apenas agora", disse Miliband.

O Governo britânico, por variadas vezes, afirmou não ter conhecimento da utilização de território britânico para a transferência de suspeitos de terrorismo fora dos normais procedimentos de extradição desde que George Bush assumiu a presidência dos EUA, em 2001.
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