Voto jovem e de minorias ajudou Obama - embaixador norte-americano em Portugal
Lisboa, 06 Nov (Lusa) - O embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Thomas Stephenson, disse hoje que Barack Obama conquistou a Casa Branca com uma maior percentagem do voto popular do que os seus predecessores e também devido aos jovens e às minorias.
Num almoço organizado pelo American Club of Lisbon e pela American Chamber of Commerce, Stephenson recordou que Obama obteve 52 por cento do voto popular (contra 46 por cento para o republicano John McCain), quando nem Bill Clinton nem George W. Bush tinham conseguido atingir os 50 por cento.
Segundo os media norte-americanos, é a primeira vez que um democrata ganha com a maioria absoluta dos votos dos eleitores desde Jimmy Carter em 1976, e Obama fê-lo com o melhor resultado desde Lyndon Johnson em 1964.
O diplomata norte-americano disse ainda que "o aumento da votação foi de 12 por cento" e que houve "muitos jovens a votar", adiantando que os números sugerem que o senador democrata obteve "98 por cento do voto afro-americano e 68 por cento do voto hispânico".
Segundo o investigador Michael McDonald, da George Mason University, citado pelo "site" independente RealClearPolitics, cerca de dois terços, 64,1 por cento, dos eleitores inscritos participaram nas eleições, afluência às urnas que não era atingida desde 1908.
Por outro lado, de acordo com sondagens à boca das urnas, 68 por cento dos eleitores entre os 18 e os 24 anos escolheu Obama (30 por cento preferiu McCain) e 69 por cento dos que têm entre 25 e 29 também votou no senador do Illinois (29 por cento optou pelo do Arizona).
Os mesmos inquéritos indicam que as minorias votaram sobretudo em Obama: negros com 96 por cento contra três, latinos com 67 por cento contra 30 e asiáticos com 63 por cento contra 34 por cento para McCain.
Thomas Stephenson disse ainda que os democratas "vão dominar as duas câmaras" do Congresso norte-americano, o Senado (câmara alta) e a Câmara dos Representantes, embora os resultados ainda não permitam determinar o nível de controlo.
Ainda assim, o embaixador norte-americano pensa que a mudança nas relações entre os Estados Unidos e a Europa será sobretudo "de estilo".
E justificou: "Bush não é unilateralista, com excepção do Iraque,(..) trabalhou com a ONU, a União Europeia e com a NATO", "não há muitas diferenças nos principais assuntos (entre Bush e Obama) se se esquecer a retórica da campanha" e os Departamentos de Estado e de Defesa não são fáceis de mudar rapidamente.
Stephenson assinalou que mesmo na questão do ambiente, outro dos temas em que as expectativas são altas em relação a Obama, a administração Bush fez "bastante trabalho" no que se refere a energias alternativas.
O embaixador não deixou de sublinhar a "mensagem inacreditável" para o mundo que representou a vitória de Barack Obama, prova da "força da democracia americana".
Thomas Stevenson chefia a missão dos Estados Unidos em Lisboa desde há um ano e, tal como o seu antecessor, Alfred Hoffman, é um embaixador político com um passado activo de angariação de fundos para as campanhas eleitorais do Partido Republicano, nomeadamente as campanhas presidenciais de George W. Bush de 2000 e de 2004.
Nessa qualidade, o embaixador vai colocar o seu lugar à disposição da nova administração, democrata, que toma posse a 20 de Janeiro.
PAL/MDR.