Washington oferece incentivos económicos para uma Cuba sem Fidel

Os Estados Unidos ofereceram hoje incentivos económicos a um futuro governo de transição em Cuba, além de anunciarem mais fundos para "acelerar o fim da ditadura".

Agência LUSA /

Uma comissão governamental norte-americana recomendou ao presidente Geoge W. Bush a concessão de uma ajuda de 80 milhões de dólares para financiar as actividades da oposição cubana ao presidente cubano, Fidel Castro.

Num relatório entregue hoje oficialmente a Bush, a Comissão de Assistência a uma Cuba livre, a que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, co-preside juntamente com o secretário do Comércio, Carlos Gutierrez, sugere que esta ajuda serve à oposição para "preparar a mudança" em Cuba.

Este é até agora o plano mais detalhado do que Washington pretende fazer quando desaparecer o presidente cubano, Fidel Castro, que completa 80 anos no próximo dia 13 de Agosto.

Neste documento e numa promessa de ajuda baptizada como "contrato com o povo de Cuba", os Estados Unidos comprometem-se a enviar alimentos, material médico, água, combustível e assistência para restabelecer uma economia que está "arruinada".

Também prometeu desencorajar terceiros países para que não obstruam "a vontade do povo cubano".

Para que não restassem dúvidas sobre a referência ao governo do presidente venezuelano, Hugo Chavez, Caleb McCurry, o coordenador da equipa para a transição em Cuba afirmou em espanhol: "A Venezuela está a oferecer apoio destinado a continuar ditadura em Cuba ou a dar alento a uma sucessão dentro da ditadura em Cuba".

"Nós encorajaremos e apoiaremos os cubanos que querem a mudança fornecendo a informação não censurada através das redes de divulgação convencionais e por satélite, através da Internet e reforçando os movimentos democráticos", escreve a comissão.

"Nos próximos dois anos fiscais 2007-2008, 80 milhões de dólares serão concedidos para apoiar estas actividades", prossegue.

Num comunicado, o presidente Bush aprovou o relatório: "o relatório mostra que trabalhamos activamente para obter a mudança em Cuba e que não nos contentamos apenas em atingir esta mudança", disse.

"Apelo a todos os nossos amigos e aliados democráticos através do mundo para que se juntem a nós a fim de apoiar a liberdade para o povo cubano", acrescentou.

A Comissão de Assistência a uma Cuba Livre recomenda também o endurecimento do embargo contra Cuba em vigor desde 1961 "para manter uma pressão económica sobre o regime a fim de limitar a sua capacidade em sobreviver e reprimir os cubanos".

Ao contrário do primeiro relatório desta comissão, redigido em 2004, o relatório 2006 contém um anexo mantido confidencial por razões de segurança nacional, o que conduziu as autoridades cubanas a denunciar um plano "secreto" dos Estados Unidos para precipitar o fim do governo de Fidel Castro.

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