Xi avisa Trump para manter "postura correta contra independência de Taiwan"
O Presidente da China, Xi Jinping, avisou esta noite na Casa Branca o homólogo norte-americano, Donald Trump, que espera que Washington "mantenha a sua postura correta contra a `independência de Taiwan`", segundo a imprensa oficial de Pequim.
De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, na reunião entre os chefes de Estado das duas maiores potências globais, Xi "expressou o desejo de que os Estados Unidos mantenham a sua postura correta contra a `independência de Taiwan`, tratem a questão de Taiwan com prudência e lancem bases sólidas para a cooperação estratégica entre a China e os Estados Unidos e para o desenvolvimento das relações bilaterais".
O regime comunista da China reivindica o controlo de Taiwan, ilha democrática com governo próprio, que tem contado com apoio diplomático e militar dos Estados Unidos, que contudo não reconhecem a sua independência.
Em declarações públicas na Casa Branca, no início da visita de Estado aos Estados Unidos Xi Jinping defendeu hoje que a China e os Estados Unidos devem reforçar o diálogo e evitar o confronto, considerando que as duas potências partilham uma "responsabilidade histórica" pelo progresso.
"Perante as mudanças de importância histórica no nosso mundo e na nossa época, a China e os Estados Unidos, como duas grandes potências, partilham uma responsabilidade histórica" pelo progresso humano, afirmou Xi, que iniciou na quarta-feira uma visita de três dias a Washington, a sua primeira ao país em 11 anos.
Numa breve declaração antes da cimeira com o homólogo norte-americano, Donald Trump, o líder chinês defendeu que os dois países devem continuar a competir, mas sem permitir que a rivalidade conduza a um conflito.
"A China e os Estados Unidos não devem ultrapassar a linha do conflito e do confronto", disse o líder chinês.
Xi apelou ainda a Washington e Pequim para que procurem "reforçar a comunicação" e "cooperar com sinceridade".
Durante a visita, o Presidente chinês anunciou também que a China vai enviar dois pandas para o jardim zoológico de Atlanta, apresentando os animais como "embaixadores da amizade" entre os dois países.
O programa inclui uma cerimónia militar na Casa Branca, conversações bilaterais e um jantar de Estado, numa altura em que os dois países mantêm divergências sobre comércio, inteligência artificial, Taiwan e a guerra no Irão.
A visita motivou críticas de congressistas democratas, que exigiram a Trump uma posição firme perante Pequim sobre o alegado apoio chinês ao Irão.
Numa carta enviada à Casa Branca esta semana, os congressistas democratas defenderam que o Presidente deveria aproveitar o encontro para condenar o papel atribuído à China no fornecimento de armamento e de apoio a Teerão e exigir o fim dessa colaboração.
O líder dos democratas no Senado norte-americano, Chuck Schumer, criticou hoje a receção de Donald Trump ao Presidente chinês, Xi Jinping, comparando-a com a visita de Vladimir Putin ao Alasca, no ano passado.
"Este homem tem uma atração inata por ditadores", afirmou Schumer, num discurso no plenário do Senado, referindo-se ao Presidente norte-americano.
"Há algo realmente errado com ele", acrescentou o senador democrata.
A crítica de Schumer surge durante a visita de Estado de três dias de Xi Jinping a Washington, iniciada na quarta-feira com uma receção na base aérea de Andrews, onde Trump acolheu pessoalmente o líder chinês e a mulher, Peng Liyuan.
As reservas à receção de Xi estendem-se, porém, ao Partido Republicano.
O presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, Roger Wicker, afirmou que teria desaconselhado uma visita com semelhante aparato, tendo em conta as divergências entre Washington e Pequim.
Outros senadores republicanos, incluindo Mitch McConnell, instaram o Governo de Trump a avançar com a assistência militar e as vendas de armamento a Taiwan, receando que a aproximação diplomática à China prejudique a capacidade de defesa da ilha autogovernada, cuja soberania é reivindicada por Pequim.
A Casa Branca justificou a receção como uma retribuição da visita de Trump à China, em maio, defendendo que o Presidente procura manter relações diplomáticas que permitam promover os interesses norte-americanos.