Xi Jinping aponta o dedo aos ricos na tentativa de redistribuir riqueza

O Presidente chinês fez esta semana uma nova e ousada promessa de redistribuir a riqueza no país, aumentando a pressão sobre os cidadãos e empresas mais ricas do colosso asiático.

Cristina Sambado - RTP /
Carlos Garcia Rawlins - Reuters

Ao líderes do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping afirmou que o seu Governo quer estabelecer um sistema para redistribuir a riqueza no interesse da “justiça social”, avança a CNN, que cita a agência oficial de notícias do Estado, a Xinhua.

Xi Jinping acrescentou que era “necessário regular razoavelmente rendas excessivamente altas e encorajar pessoas e empresas com mais rendimentos a devolverem mais à sociedade”.


O artigo da agência oficial não inclui muitos detalhes sobre a forma como Xi espera atingir tal objetivo, mas sugeriu que o Governo poderia considerar a tributação ou outras formas de redistribuir a riqueza.

Xi Jinping invocou a necessidade de “prosperidade comum” entre o povo chinês para transformar o país numa nação “totalmente desenvolvida, rica e poderosa” até 2049, altura em que se celebra o centenário da República da China.

“A prosperidade comum é a prosperidade de todas as pessoas. Não a prosperidade de algumas pessoas”, acrescentou durante a reunião de liderança para determinar a política do país.Prosperidade comum
A frase de Xi Jinping tem um significado histórico na China no contexto de redistribuição da riqueza.
Mao Zedong, em meados do século XX, usou a mesma expressão quando defendeu reformas económicas dramáticas para tirar o poder aos proprietários de terras, a elite rural.

Mao governou o país em contexto de grandes transformações e convulsões económicas e sociais. A sua morte em 1976 marcou o fim da Revolução Cultural.

Posteriormente, a China passou por décadas de liberalização económica sob a liderança de Deng Xiaoping.

Deng adotou o seu próprio uso da frase “prosperidade comum” quando o país abraçou os princípios do mercado livre na economia socialista da China e abriu o maior país comunista do mundo para o Ocidente.

Depois de uma visita de uma delegação de executivos americanos em 1985, Deng afirmou: “Algumas áreas e algumas pessoas podem ficar ricas primeiro, e então liderar a ajudar outras regiões e pessoas [a ficarem ricas] e, gradualmente [alcançaremos] a prosperidade comum”.

Ao longo dos anos, a China tem feito uma transição de um país pobre para a segunda maior economia do mundo e uma das maiores forças em negócios e tecnologia. O seu rápido crescimento poderá ajudá-la a ultrapassar os Estados Unidos como a maior economia mundial numa década.
Desigualdade crescente
Mas enquanto o setor privado do país e a quantidade de riqueza explodiram – em 2019, o número de chineses ricos ultrapassou o número de americanos pela primeira vez – as disparidades entre ricos e pobres dos cidadãos rurais e urbanos na China aumentaram.

Um problema que incomodou Xi Jinping, que admitiu que o PCC “permitiu que algumas pessoas, em algumas áreas, ficassem ricas primeiro”, após as reformas económicas da década de 1970.

No entanto, em 2012 – quando Xi Jinping assumiu o poder – que o Governo central fez “perceber a prosperidade comum de todas as pessoas numa posição mais importante”.

O foco de Xi na redistribuição da riqueza está vinculado aos objetivos mais amplos do seu executivo para a economia.

Nos últimos meses, a China entrou numa repressão sem precedentes nos setores de tecnologia, finanças, educação, e outros com o objetivo de conter o risco financeiro, proteger a economia e erradicar a corrupção.

O Governo de Xi Jinping referiu a necessidade de salvaguardar a segurança nacional e proteger o interesse do povo. Os reguladores têm culpado o setor privado por criar problemas socioeconómicos que poderiam desestabilizar a sociedade e afetar o controlo do PCC no poder.

A repressão a empresas privadas abalou os investidores globais e alimentou temores sobre as perspetivas de inovação e crescimento da economia chinesa.

A economia chinesa tem revelado recentemente sinais de fraqueza.
Dados divulgados na segunda-feira indicam que a recuperação do país esta a desacelerar e a taxa de desempregos entre os jovens atingiu o valor mais alto.

Segundo a CNN, os economistas atribuíram a desaceleração a uma série de fatores incluído a rápida disseminação da variante Delta do SARS-CoV-2, desastres naturais, crescentes riscos de dívida e diminuição de sentimento dos investidores.
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