Xi promete intensificar combate à corrupção antes de reunião decisiva do PC Chinês
O Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu intensificar o combate à corrupção e eliminar os dirigentes envolvidos em práticas ilícitas, numa intervenção divulgada a menos de duas semanas de uma importante reunião do Partido Comunista Chinês (PCC).
O discurso, proferido em janeiro perante a Comissão Central de Inspeção e Disciplina, principal organismo anticorrupção do PCC, foi publicado na quinta-feira pela revista Qiushi, revista de teoria política do partido, com novas passagens que incluem advertências sobre a persistência da corrupção nas estruturas do poder.
"A luta contra a corrupção é uma grande batalha que não podemos dar-nos ao luxo de perder e que nunca devemos perder. Não podemos parar por um momento nem recuar sequer meio passo", afirmou Xi.
O líder chinês defendeu a necessidade de "arrancar pela raiz ou abater as árvores doentes sempre que necessário", recorrendo a uma metáfora da poesia clássica chinesa que evoca a substituição do velho pelo novo.
"A corrupção é o maior risco, ameaça e desafio que o nosso partido enfrenta. É um obstáculo ao desenvolvimento do Partido [Comunista] e do país", acrescentou.
Xi reconheceu que as práticas corruptas continuam disseminadas nas estruturas partidárias e apresentam uma elevada tendência para reaparecer.
A divulgação do discurso ocorre antes da quinta sessão plenária do 20.º Comité Central do PCC, marcada para 26 a 29 de outubro, em Pequim, durante a qual os dirigentes deverão discutir e aprovar um documento destinado a aprofundar os mecanismos de governação e disciplina interna do partido.
A reunião deverá centrar-se no combate à corrupção sistémica, no reforço da supervisão política e na eliminação de lacunas institucionais na administração pública e nos organismos governamentais.
O encontro realiza-se também numa altura em que decorrem os preparativos para a renovação da liderança chinesa, que culminará no congresso do PCC, previsto para o outono de 2027, quando será eleito um novo Comité Central e anunciadas alterações nos principais cargos dirigentes.
A campanha anticorrupção já atingiu uma parte significativa da atual liderança partidária: 34 dos 205 membros efetivos do Comité Central estão sob investigação ou perderam os seus lugares na Assembleia Nacional Popular, o principal órgão legislativo chinês.
Na terça-feira, a Comissão Central de Inspeção e Disciplina anunciou uma investigação por suspeitas de corrupção contra Huang Qifan, antigo presidente da câmara de Chongqing, considerado durante anos um sobrevivente político, apesar de sucessivos escândalos que atingiram figuras próximas.
Huang reformou-se há oito anos.
No discurso agora divulgado, Xi alertou também para os riscos associados às mudanças de liderança nos governos locais e nas estruturas partidárias, numa altura em que várias províncias chinesas estão a renovar os seus principais responsáveis.
O Presidente pediu medidas para impedir que dirigentes prestes a abandonar os cargos deixem de cumprir as suas funções ou que os recém-nomeados procurem resultados imediatos em detrimento de objetivos de longo prazo.
"Devemos intensificar as investigações sobre casos de corrupção que envolvam os principais dirigentes, os quadros mais jovens e outros responsáveis", afirmou.
Xi Jinping lançou uma vasta campanha anticorrupção após chegar ao poder, em 2012, que atingiu milhares de funcionários e dirigentes, incluindo altos responsáveis políticos e militares.
Embora apresentada pelas autoridades como essencial para preservar a integridade do Partido Comunista, a campanha tem também sido apontada por observadores como um instrumento de consolidação do poder do líder chinês.