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Guerra na Ucrânia
Zelensky acusa Rússia de destruir perspetiva de paz após ataque com 29 mortos
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou esta segunda-feira a Rússia de comprometer qualquer "progresso rumo à paz", após um ataque que matou pelo menos 29 pessoas durante a distribuição de ajuda humanitária no sudeste do país.
Os ataques prosseguiram durante esta madrugada em várias regiões da Ucrânia, atingindo nomeadamente um hospital em Kherson, no sul do país, onde 46 pessoas ficaram feridas e 200 pacientes tiveram de ser retirados. Infraestruturas energéticas foram igualmente atingidas em várias regiões.
Na véspera das eleições intercalares nos Estados Unidos, o enviado norte-americano Steve Witkoff garantiu ao final da tarde de segunda-feira que decorrerão "negociações de trabalho" entre a Rússia e a Ucrânia nos dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, sob mediação dos Estados Unidos.
"As discussões incidirão sobre as disposições de segurança do pós-guerra, a desescalada, os esforços humanitários e os próximos passos rumo à paz", detalhou na rede social X.
Contudo, a última reunião deste tipo, realizada em meados de fevereiro em Genebra, na Suíça, terminou sem resultados concretos, com a Rússia a manter posições extremas, segundo Kiev.
As perspetivas deterioraram-se ainda mais com o ataque, na segunda-feira, contra o centro de distribuição de ajuda humanitária de Komyshuvakha, na região de Zaporizhia
"Todas as segundas-feiras era aí distribuída ajuda humanitária. Os russos lançaram o primeiro ataque precisamente no momento em que as pessoas chegavam, recorrendo a várias bombas aéreas. Depois houve um segundo ataque, com mais bombas aéreas, desta vez dirigido ao abrigo (...), onde as pessoas se tinham refugiado", descreveu Zelensky.
Estes ataques destruíram "toda a esperança de progresso rumo à paz", sublinhou o líder ucraniano, considerando tratar-se de "mais uma prova de que a Rússia não pretende nem a desescalada nem uma verdadeira justiça".
O chefe da administração militar local, Mykhailo Semikine, indicou que foram utilizadas "pelo menos nove bombas guiadas FAB-3000", engenhos com três toneladas de peso. O balanço foi revisto esta terça-feira para 29 mortos, face aos 26 inicialmente anunciados.
A Rússia retomou igualmente os bombardeamentos na região vizinha de Kherson, após uma rara trégua local negociada para permitir a evacuação da cidade de Olechky, ocupada pelas forças russas.
Depois desta operação humanitária, escreveu Zelensky nas redes sociais, "houve um momento em que se podia acreditar que novas etapas de progresso em direção à paz eram possíveis".
"Com este massacre, a Rússia envia um sinal completamente oposto, aposta em novos assassínios", acrescentou.
Neste contexto, os aliados de Kiev reunidos na Força Multinacional para a Ucrânia anunciaram que realizarão, entre 09 e 22 de novembro, na Polónia, um exercício militar de grande escala destinado a testar a sua capacidade de destacamento e atuação conjunta no terreno.
Cerca de 2.800 militares de dez países participarão no exercício, sob liderança da França e do Reino Unido.
Do lado russo, o presidente da Câmara de Moscovo, Serguei Sobianine, informou que 493 drones ucranianos foram neutralizados durante a noite enquanto se dirigiam para a capital. Um ataque atingiu ainda uma refinaria em Iaroslavl, a nordeste de Moscovo, segundo o governador local, Mikhail Ievraiev.
A trégua na região de Kherson começou na manhã de terça-feira passada e terminou no domingo à noite sem incidentes.
A Rússia recusou uma proposta ucraniana para prolongar este cessar-fogo localizado, revelou à agência France-Presse um alto responsável ucraniano que não quis ser identificado.
"Vai ser o inferno, ainda pior do que antes", previu uma fonte militar local que também pediu para não ser identificado.
Segundo este oficial, as forças russas aproveitaram o período de calma para concentrar novas tropas e munições na outra margem do rio Dnipro, que atravessa a cidade, bem como para recolher informações de inteligência.
Questionado na segunda-feira sobre estas acusações, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que "se trata de uma prática absolutamente comum em situações deste tipo" e que "as forças armadas ucranianas também aproveitaram este período para efetuar um reagrupamento semelhante".