Zelensky cauteloso sobre "preparação" da Rússia para paz

Zelensky cauteloso sobre "preparação" da Rússia para paz

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje ser "demasiado cedo" para avaliar a nova ronda de negociações em Abu Dhabi sobre o fim da invasão russa, e salientou ser necessário aferir a prontidão de Moscovo para a paz. 

Lusa /

As primeiras negociações em Abu Dhabi entre representantes russos, ucranianos e norte-americanos terminaram na sexta-feira à noite, anunciou a presidência ucraniana, estando novas discussões agendadas para sábado. 

No seu habitual discurso noturno Zelensky, reconheceu que a reunião de hoje foi "importante" porque "já não se realizavam reuniões trilaterais deste tipo há muito tempo", mas mostrou-se cauteloso quanto às intenções russas. 

"O ponto crucial é que a Rússia precisa de estar preparada para pôr fim a esta guerra, a mesma que começou. A posição da Ucrânia é clara", disse o Presidente ucraniano. 

"Quanto ao conteúdo das conversas de hoje, ainda é demasiado cedo para tirar conclusões. Veremos como a conversa se desenrola amanhã (sábado) e que resultados produzirá", adiantou Volodymyr Zelensky. 

Antes, o negociador-chefe ucraniano, Rustem Umerov, referiu na rede social X que a reunião em Abu Dhabi "centrou-se nos parâmetros para o fim da guerra travada pela Rússia e nos próximos passos lógicos no processo negocial, visando avançar para uma paz digna e duradoura". 

"Novas reuniões estão agendadas para amanhã (sábado)", acrescentou. 

Estas discussões constituem as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscovo e Kiev sobre o plano proposto pelos Estados Unidos para pôr fim a quatro anos de guerra. 

Um dos pontos de discórdia é o destino dos territórios no leste da Ucrânia, com a Rússia a exigir que Kiev retire as suas forças dos cerca de 30% da região de Donetsk que ainda controla. 

O encontro em Abu Dhabi começou um dia depois de dois encontros de alto nível, um em Davos entre o Volodymyr Zelensky e o seu homólogo norte-americano Donald Trump, e o outro em Moscovo entre Vladimir Putin e os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. 

As negociações diretas anteriores entre a Rússia e a Ucrânia durante o primeiro ano da guerra, em 2022, e várias vezes em 2025, em Istambul resultaram apenas na troca de prisioneiros e de restos mortais de soldados. 

A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas do Donbass, na região industrial do leste da Ucrânia, e um compromisso de Kiev de não aderir à NATO. 

Nos últimos meses, a Rússia intensificou os ataques à rede energética ucraniana, provocando cortes massivos de eletricidade e aquecimento, especialmente na capital ucraniana, que enfrenta temperaturas gélidas. 

Zelensky proferiu um discurso particularmente duro em Davos na quinta-feira contra os seus principais apoiantes, dizendo ver uma Europa "fragmentada" e "perdida", quando se trata de influenciar as posições de Donald Trump, e sem "vontade política" face a Vladimir Putin.  

  A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

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