Zonas verdes de Macau continuam insuficientes apesar de esforços do Governo

Zonas verdes de Macau continuam insuficientes apesar de esforços do Governo

O ambientalista Joe Chan disse hoje à Lusa que as zonas verdes de Macau não melhoraram significamente, apesar do Governo do território reclamar que plantou 19 mil árvores nos últimos cinco anos através de diversas iniciativas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: EPA

Joe Chan sublinhou que os ambientalistas "apoiam certamente" a plantação de árvores, porém apontou que a "arborização em Macau não depende apenas do número de árvores, mas sobretudo da taxa efetiva de coberto verde".

O ambientalista explicou que a cobertura de espaços verdes de Macau é inferior à de cidades desenvolvidas vizinhas e que o método utilizado para calcular o coberto verde no território é singular, já que, mesmo quando não há árvores - por exemplo, numa praça quase desarborizada -, a área é contabilizada na sua totalidade como de espaço verde.

Dando como exemplo a Praça do Tap Seac, Chan referiu que, apesar da praça de 13 mil metros quadrados ter apenas "algumas árvores", toda a praça é classificada "como espaço verde".

Em termos de espaços naturais, "Macau ainda tem uma margem significativa de melhoria", afirmou Chan, sugerindo ao Governo que aumente o coberto verde efetivo, reforçando a conservação de árvores antigas e dos povoamentos existentes, bem como a manutenção de árvores jovens e recentemente plantadas.

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou em resposta escrita a questões levantadas pela deputada Lei Ching I que foram plantadas "mais de 19 mil árvores de mangue, espécies adaptadas a zonas costeiras de transição entre o mar e a terra, entre 2021 e 2025".

Apesar de densamente urbanizado, Macau alberga uma área de mangais ao longo de cerca de 4 quilómetros na linha de costa de Taipa-Coloane, na Zona Ecológica de Cotai.

Este ecossistema local é composto por apenas sete espécies, mas que desempenham um papel crucial na proteção costeira, filtragem de águas e conservação de aves migratórias.

Entre 2020 e 2025, a área de zonas verdes e o número de árvores urbanas aumentaram cerca de 10,3% e 8,1% respetivamente, acrescentou o instituto.

O IAM indicou na mesma resposta que em 2023 convidou peritos do interior da China para prestar apoio técnico em Macau, que passaram orientações profissionais sobre a avaliação da saúde das árvores antigas e de reconhecido valor e a respetiva recuperação.

"Entre 2026 e 2030, o IAM irá continuar a aumentar e optimizar, em todo o território de Macau, não menos de 200 mil metros quadrados de áreas verdes", prevendo também plantar "cerca de 3.000 árvores em zonas verdes, parques, jardins e zonas de lazer", indicou o instituto.

O plano passa ainda acrescentar elementos verdes nas passagens superiores para peões com condições para tal e nas travessias pedonais; desenvolver a arborização tridimensional, e "optimizar o planeamento" e disposição dos espaços verdes e de lazer das zonas urbanas.

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