15 mil professores iniciaram maior protesto desde o 25 de Abril
Cerca de 15 mil professores começaram às 15h45 a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, num protesto nacional contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), que os sindicatos acusam o Governo de querer impor.
A contestação foi agendada pelos 14 sindicatos que estão a discutir com o Ministério da Educação a revisão do ECD, exigindo uma "negociação séria e efectiva" e protestando contra a "imposição de um novo estatuto".
No Dia Mundial do Professor, e com o lema "professores todos juntos na mesma luta", esta é a maior manifestação de sempre de docentes desde o 25 de Abril e o quarto grande protesto que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, enfrenta.
Segundo o sub-comissário da PSP Alves Coelho, estão presentes no local cerca de 12 mil professores, menos 3.000 do que os contabilizados pelos sindicatos que promovem o protesto.
"Se o Ministério mantiver uma postura de intransigência e inflexibilidade, as 14 organizações não vão abrandar a sua luta para impedir que o Governo imponha aos professores unilateralmente o seu próprio estatuto", disse à Lusa Paulo Sucena, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof).
Ao longo da Avenida da Liberdade, onde os manifestantes se encontram, podem ler-se cartazes com frases como "professores em luta" e ouvir-se palavras de ordem como "categoria há só uma, professor e mais nenhuma" e "direitos são para manter, não são para abater".
A divisão da carreira em duas categorias, com quotas estabelecidas para subir de escalão e aceder à segunda e mais elevada, é uma das principais propostas do Ministério da Educação relativamente à qual os sindicatos exigem um recuo .
O exame de ingresso ou a avaliação de desempenho dependente de critérios como a apreciação dos pais e a taxa de insucesso e abandono escolar dos alunos são outras das questões que têm provocado divergências entre as organizações sindicais e a tutela.
Este é o quarto grande protesto de professores e educadores desde que a ministra tomou posse e o segundo deste ano, depois da manifestação nacional realizada a 14 de Junho, na qual cerca de sete mil docentes pediram a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues, junto ao ME.
A marcha segue até ao Rossio, onde se realizará um plenário com intervenções dos representantes das quatro mesas negociais que estão envolvidas no processo de revisão do ECD, no qual serão anunciadas as formas de luta que se seguem a este protesto.
Participam neste protesto a Federação Nacional de Professores (Fenprof) , a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), a Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei), a Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação (Fepeci), Associação Sindical de Professore s Licenciados, a Associação Sindical Pró-Ordem e o Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades.
O Sindicato Independente de Professores e Educadores, o Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e Ensino Básico, o Sindicato Nacional de Professores do Ensino Secundário, o Sindicato Nacional de Professores Licenciados, o Sindicato Nacional de Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades, a União Sindical de Professores e o Sindicato Nacional de Professores encerram o conjunto das organizações que promovem a marcha.