200 trabalhadores SMAS indignados com a Câmara do Porto por generalizar suspeitas

Cerca de 200 trabalhadores dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) do Porto participaram hoje num plenário excepcional de "indignação" com a Câmara local pela "generalidade de suspeitas de fraudes" levantadas pela autarquia.

Agência LUSA /

O plenário foi convocado pelos sindicatos representativos dos mais de 500 funcionários da empresa, o dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e o da Administração Pública (SINTAP), depois de terem vindo a público notícias sobre a suspeita de participação de trabalhadores dos SMAS em fraudes na comparticipação de despesas de saúde.

A informação foi avançada quarta-feira pela Câmara do Porto que, em comunicado, anunciou que a Polícia Judiciária constituiu "um número substancial" de arguidos no âmbito deste processo.

"A notícia caiu como uma bomba" no meio dos trabalhadores dos SMAS, afirmou aos jornalistas António Moreira, motorista dos serviços.

O motorista condenou a atitude da autarquia, designadamente por "meter todos os trabalhadores no mesmo saco".

"Somos todos cidadãos. A atitude do presidente da Câmara, Rui Rio, foi extemporânea e longe demais", frisou António Moreira.

Uma funcionária administrativa, que preferiu o anonimato, considerou que Rui Rio "fez uma operação de charme, dando a entender que é tudo corrupto e que é ele que vai pôr mão nisto".

Entre os trabalhadores presentes no plenário o clima era de indignação, nomeadamente por a câmara ter revelado estar a decorrer uma investigação por parte da PJ e terem sido já constituídos arguidos um "número substancial" de trabalhadores, dois dias depois de ter sido aprovada em Assembleia Municipal a transformação dos SMAS em empresa municipal.

"Rui Rio está a aproveitar-se da situação, estou indignado", afirmou um serralheiro dos SMAS, que também preferiu o anonimato.

"Estamos a pagar todos pelo mesmo, o que não é justo. Que enfie a carapuça quem quiser e, se houve fraudes, que os seus autores sejam punidos", acrescentou.

A autarquia divulgou quarta-feira que a acção policial surgiu na sequência de uma participação feita à PJ em Dezembro de 2005, depois de terem sido detectados "sinais que alertam para a possibilidade de terem sido pagos largos milhares de euros de comparticipações de tratamentos inexistentes sustentados em recibos falsos ou fraudulentamente obtidos".

A Câmara do Porto acrescentou ainda que a PJ recolheu nos últimos meses toda a documentação existente nos SMAS referente a despesas com a Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE) e efectuou "buscas a estabelecimentos de saúde que os funcionários escolhiam para o efeito pretendido".

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