36 tiros contra agentes assassinados na Amadora, dizem peritos

Dois peritos da polícia criminal afirmaram hoje em tribunal que foram disparados 36 tiros da arma que, a 20 de Março, matou dois agentes da PSP na Amadora, alegadamente pertença do arguido Marcus Fernandes.

Agência LUSA /

Na segunda sessão de julgamento, João Pereira Fonseca, engenheiro físico, e João Guimarães, perito em balística, referiram que a arma utilizada no crime, uma Glock, disparou 36 tiros em três locais diferentes: 25 no parque de estacionamento em frente ao bar do bairro de Santa Filomena, cinco na faixa de rodagem e quatro dentro do Opel Corsa, a viatura do arguido.

António Carlos Fernandes Abrantes, 30 anos, natural da Guarda, e Paulo Jorge de Oliveira Alves, 23 anos, de Rio Tinto, ambos polícias da Esquadra da PSP da Mina, Amadora, foram os agentes mortos frente ao Chop Bar. Na altura, estavam acompanhados do agente Pedro Pereira, que sobreviveu.

Os especialistas referiram ainda hoje, no tribunal, que da arma do agente Pedro Pereira, uma HK, foram disparados seis tiros.

Depois foi a vez do tribunal ouvir o testemunho de João Martins, mais conhecido por "João Bomba", que conhecia o arguido desde Dezembro de 2004 e que esteve com ele no Chop Bar na noite do crime.

João Martins, que não se considerou amigo de Marcus Fernandes, mas apenas "conhecido", apesar do arguido ter frequentado a sua casa e lhe ter emprestado o carro, afirmou que sabia que este andava armado e que este, uma vez, lhe tinha mostrado "uma arma preta" que não identificou.

Segundo a testemunha, o carro da polícia com três agentes fardados apareceu quando ambos estavam a conversar na rua em frente ao bar.

Dois dos agentes avançaram na direcção de Marcus Fernandes, pediram-lhe a identificação e "começaram a agarrá-lo e a empurrá-lo".

O arguido pediu aos polícias que o largassem e mostrou-se disposto a entregar a identificação, ainda segundo João Martins.

Depois, prosseguiu a testemunha, num curto espaço de tempo ouviu "uma mão cheia de tiros" e, com medo, atirou-se "para o chão, entre os carros" estacionados, encontrando-se "a cerca de dois metros" dos polícias e do arguido.

"Depois dos tiros vi dois agentes a correr, um dos que estava com o Marcus e outro que estava ao pé de mim", explicou, adiantando que viu o agente Pereira dirigir-se para a estrada, antes dele próprio ter fugido para casa, a pé, tendo depois "ouvido mais 15 ou 20 tiros".

A testemunha disse ainda que viu Marcus Fernandes entrar no carro (Opel Corsa) com a arma na mão e disparar mais tiros.

Depois do depoimento, o advogado de Marcus Fernandes, Reis Nogueira, solicitou a audição do agente da PSP José Rodrigues Soares, aceite pelo tribunal, e uma acareação de João Martins e do agente Pedro Pereira, que o colectivo de juízes decidiu que ficava pendente até serem ouvidas outras testemunhas.

Durante o interrogatório de João Martins e porque foram contados vários pormenores da noite do crime, mais uma vez a tristeza tomou conta dos familiares das duas vítimas e o pai do agente Paulo Alves, sem conseguir conter os soluços, foi obrigado a abandonar a sala.

Marcus José Fernandes, 31 anos, está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional do Linhó, Cascais, após ter sido detido pela Polícia Judiciária numa casa em Melides, Grândola, um dia depois de, alegadamente, ter cometido o duplo homicídio.

CC.


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