60 mil a 100 mil portugueses sofrem de esquizofrenia
A esquizofrenia é uma das doenças com maior prevalê ncia em Portugal, afectando 60 mil a 100 mil pessoas, disse hoje à agência Lusa o professor universitário de Psiquiatria António Pacheco Palha.
"A prevalência da esquizofrenia em Portugal está estimada entre 0,6 e um p or cento. É uma das doenças com maior prevalência no país", referiu Pacheco Palh a, presidente do 3º Colóquio de Internacional de Esquizofrenia do Porto, que reú ne entre hoje e sábado cerca de 400 participantes.
Pacheco Palha disse que "nos últimos 20 anos surgiram novos medicamentos e novas técnicas" que minoraram os efeitos negativos da esquizofrenia, mas ainda há muitos problemas associados à doença.
O responsável pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Porto destacou a importância de o diagnóstico da esquizofrenia ser feito o mais cedo possível, dado a progressão da doença sem tratamento levar a uma "degradaç ão completa do doente".
O estigma, a sexualidade e a violência associados à esquizofrenia são os t emas em debate no encontro do Porto, que, segundo o presidente do colóquio, "não tem preconceitos ideológicos", juntando especialistas das áreas biológicas, psi cológicas e sociais.
Pacheco Palha alertou para a necessidade de combater o grande estigma soci al que acompanha os esquizofrénicos "há séculos", dado que muitos doentes tratad os conseguem ter uma vida perfeitamente normal.
A esquizofrenia começou por ser chamada demência precoce, no século XIX, m as investigações posteriores levaram à mudança da designação da doença, por a or iginal ser muito redutora.
"Nem sempre a demência aparece, mas há sempre um défice de aptidões sociai s", afirmou o especialista, sublinhando que a falta de tratamento pode levar o d oente a não ter consciência de quem é, nem da relação que tinha com diferentes g rupos sociais.
O professor universitário defendeu também a necessidade de acabar com a id eia de que o esquizofrénico é violento, dado que só uma "situação excepcional" p oderá resultar em violência.
A saúde sexual dos esquizofrénicos será também debatida no colóquio, estan do prevista para sábado a apresentação de um estudo pioneiro sobre as atitudes d os profissionais de saúde face à sexualidade de doentes institucionalizados.
"A Medicina nunca deu muita importância à saúde sexual dos esquizofrénicos ", referiu Pacheco Palha, salientando que esta doença "perturba o afecto e a rel ação com os outros", problema que ganha relevância nos casos de doentes crónicos que têm de estar constantemente a ser medicados.