60 polícias e três meses de trabalho terminam com a identificação de 23 pessoas
Lisboa, 04 Set (Lusa) - Cerca de 60 elementos da Policia Judiciária (PJ) estiveram a trabalhar durante três meses na operação Carrossel II, que quarta-feira culminou com 18 buscas, a identificação de 23 pessoas e a apreensão de material informático.
Segundo fonte da PJ, esta operação internacional de combate à pornografia e abuso sexual de menores na Internet contou com a participação de 60 investigadores que trabalharam no caso durante três meses.
A operação culminou com a identificação de 23 pessoas, entre os 25 e os 30 anos, e com a apreensão de material informático: 25 computadores, 13 computadores portáteis, 33 cartões de memória, quatro máquinas fotográficas, 709 discos ópticos, 23 discos rígidos externos, um PDA e cinco telemóveis que agora serão rigorosamente analisados por peritos e investigadores.
"Estamos a ligar com um tipo de criminalidade que não escolhe extractos sociais, não há maior incidência de ricos ou pobres de uma raça ou outra", disse à agência Lusa Carlos Cabreiro, da Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da PJ.
Um computador e uma ligação à Internet que permita a partilha de ficheiros aparentemente inocentes são os instrumentos necessários para os predadores sexuais se movimentarem no espaço virtual.
Os meios - humanos e tecnológicos - nunca são suficientes para seguir os seus movimentos, explicou à Lusa um responsável pela investigação deste tipo de crimes.
Para o subdirector nacional adjunto da PJ, "o carácter internacional e transfronteiriço e sem espaço definido na prática deste tipo de criminalidade obriga a um esforço efectivo de cooperação", internacional.
Carlos Cabreiro refere que os investigadores se deparam com "dificuldades técnicas relacionadas com a recolha da prova", pelo facto de se investigar alegados criminosos que "navegam" num espaço virtual.
"À investigação destes crimes estão associadas as dificuldades típicas de uma prática que envolve meios tecnológicos: o seu carácter internacional e transfronteiriço, sem espaço definido e as dificuldades técnicas na recolha da prova", frisou.
Outra das barreiras que os investigadores enfrentam é o anonimato dos utilizadores destes programas.
"O anonimato é um dos grandes problemas que este tipo de programas informáticos cria aos investigadores. Porém, não é por isso que as polícias não estão atentas e não têm tido sucesso nas suas investigações e desmantelado redes de pedofilia", sustentou Carlos Cabreiro.
As redes organizadas de pedofilia movem-se no mundo virtual da net e os investigadores precisam de formação adequada para perceberem a tecnologia, dominarem as técnicas e a linguagem típica utilizada.
A operação de quarta-feira visou combater a produção e divulgação de pornografia de menores através da Internet, "mais concretamente com a utilização de programas de distribuição ponto a ponto (peer-to-peer)", isto é, partilha de ficheiros.
O material apreendido será agora analisado pelos elementos da secção de combate aos crimes informáticos e pedofilia da DCICCEF.
"O material será analisado para determinar a responsabilidade dos seus utilizadores e a identificação dos filmes e fotografias de cariz pedófilo, tendo em vista posteriores diligências, como interrogatórios e constituição de arguidos das pessoas identificadas", explicou Carlos Cabreiro.
A secção da DCICCEF encarregada do combate a crimes informáticos e associados à pedofilia é composta por cerca de 25 pessoas, entre inspectores e peritos na área informática.
A operação Carrossel II começou por ser desencadeada no Brasil, onde foram mobilizados 650 polícias e cumpridos 113 mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal Brasileira, as investigações das operações Carrossel já identificaram aproximadamente 200 pedófilos em mais de 70 países.
Só na Holanda foram identificados cerca de cem pedófilos. Em Israel e na Grécia os investigadores identificaram respectivamente 30 e 22 pessoas envolvidas com pornografia infantil.