"A culpa nunca vai deixar-nos" - Gerry e Kate McCann

Os pais da criança britânica desaparecida há três semanas no Algarve admitiram que o sentimento de culpa pelo desaparecimento da filha nunca vai abandoná-los, mas acrescentaram que o importante é olhar para a frente.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A culpa que nós sentimos por não termos estado lá naquele momento - até podíamos ter estado no quarto do lado [o resultados seria o mesmo] - nunca nos deixará", disse Gerry McCann, o pai da menina, numa entrevista à cadeia de televisão britânica Sky News.

Kate McCann, por seu lado, admitiu que nos primeiros dias o sentimento de "culpa era muito difícil", mas com o tempo o casal foi-se sentindo mais forte e muito apoiado.

Depois da primeira reacção, a culpa, os pais tiveram de "colocar as coisas em perspectiva: é um aldeamento muito seguro", disse Gerry McCann.

"Se pensarmos nos milhões e milhões de famílias britânicas que vão para o Mediterrâneo todos os anos, as probabilidades de isto acontecer são de um em cem milhões", afirmou.

"Na pior das hipóteses fomos ingénuos", disse Kate McCann.

"Somos pais muito responsáveis. Amamos muito os nossos filhos. E penso que nenhum pai pode jamais imaginar que uma coisa destas possa acontecer", acrescentou.

"Tentámos racionalizar as coisas nas nossas cabeças. Em última análise, o que aconteceu, aconteceu e agora olhamos em frente continuamente", disse o pai de Madeleine McCann.

Questionados sobre o debate público sobre o comportamento dos pais que se seguiu ao desaparecimento de Madeleine, o casal McCann admitiu ter ficado magoado, mas Gerry acrescentou: "Ninguém pode magoar-nos tanto como a dor que nós tivemos".

"Tentámos manter-nos muito positivos e mesmo os pequenos níveis de crítica tornam as coisas difíceis quando estamos a tentar fazer tudo ao nosso alcance para recuperar a nossa filha", disse Gerry.

O casal voltou a afirmar que não considera a hipótese de regressar a casa sem Madeleine e adiantou não ter planos concretos sobre as viagens que pretende fazer a outros países europeus para apelar a informações sobre a menina.

Sobre a investigação coordenada pela polícia judiciária portuguesa, Gerry afirmou que "não ajuda estar a olhar para trás para ver o que podia ou não ter sido feito".

No entanto, reconheceu que esperava uma resposta mais ao "estilo-britânico", que se poderia esperar numa grande cidade. "Mas temos de contextualizar as coisas - estamos num aldeamento pequeno", disse.

"O momento de aprender com o que aconteceu será depois de terminada a investigação e não agora", disse Gerry McCann, acrescentando tratar-se de uma grande investigação na qual centenas de pistas continuam a aparecer.


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