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a demissão de um "santanista"

Henrique Chaves, um "santanista" desde a primeira hora, demitiu-se hoje do cargo de ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, quatro dias após transitar das funções de ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

Agência LUSA /

Antes de assumir funções no Governo do Pedro Santana Lopes, tomando posse a 17 de Julho como ministro Adjunto, em substituição de José Luís Arnaut, que transitava para o Ministério das Cidades, Administração Local e Desenvolvimento Regional, Henrique Chaves integrava a bancada do Partido Social-Democrata (PSD) no Parlamento.

Apesar de ser militante do PSD desde 1974, nem sempre os interesses deste advogado de 53 anos passaram pela política, actividade da qual esteve 18 anos afastado para se dedicar inteiramente à carreira profissional.

Em 1994, conheceu Pedro Santana Lopes - através da namorada da altura do agora primeiro-ministro, Cinha Jardim - e um ano mais tarde, no Congresso do Coliseu, assumiu-se como seu apoiante.

No Congresso em que o PSD, "órfão" de Cavaco Silva, elegeu Fernando Nogueira como seu sucessor na presidência, Henrique Chaves era o nome proposto pelo candidato à liderança Santana Lopes para secretário-geral do partido.

Trabalharam juntos no mesmo escritório de advogados, actividade que Henrique Chaves manteve até entrar no Governo, por ser contra a exclusividade na política.

"A minha independência permite que eu, em cada momento dentro do meu partido, diga aquilo que acho melhor para o PPD/PSD", afirmou, numa entrevista, em 1995.

Conhecido pela frontalidade, assumiu-se contra a entrada no partido de personalidades como Francisco Lucas Pires e Vasco Pulido Valente, a quem chamou "travestis políticos".

Admirador de Pacheco Pereira, apesar da sua "vertente de intelectual de esquerda", e de Ferreira do Amaral, a quem elogia o carisma, Henrique Chaves subiu à comissão política do PSD em 2002, onde desempenhou o cargo de vogal do Conselho de jurisdição.

Foi ainda deputado com assento na Comissão de Defesa e um dos representantes da ala "santanista" no Parlamento, juntamente com Rui Gomes da Silva, Gonçalo Capitão, Marco António ou Jorge Neto.

No comunicado hoje enviado a Agência Lusa em que anuncia a sua demissão, Henrique Chaves comenta que não concebe "a vida política e o exercício de funções sem uma relação de lealdade entre as pessoas" e explica que, já aquando da remodelação ministerial, havia solicitado a Santana Lopes a intenção de cessar funções.

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