A morte não acaba com a vida, apenas implica uma mudança
A maior surpresa para as pessoas que estão a morrer é perceberem que a morte não acaba com a vida, apenas se regista uma mudança e se deixa de `vestir` um corpo que filtra e amplifica as sensações.
A tese é da norte-americana P.M.H. Atwater, especialista em experiências de quase-morte, que hoje participou numa mesa-redonda no Porto sobre o tema `A morte passou por mim`, integrada no V Congresso Internacional do Espaço T, instituição de solidariedade social.
"Eu morri três vezes em 1977, desde essa altura sinto a vida de modo diferente e, por causa dessas experiências, iniciei as investigações sobre esta matéria", afirmou a especialista, que já escreveu oito livros sobre experiências de quase-morte com base em depoimentos de mais de três mil pessoas.
Na sua intervenção, que se prolongou por quase o dobro dos 15 minutos inicialmente previstos, P.M.H. Atwater defendeu que "4 ou 5 por cento da população de quase todos os países do mundo teve experiência de quase-morte, excepto na Austrália, onde essa percentagem - não sabemos por que razão - é de oito por cento".
A especialista norte-americana salientou que existe actualmente "muito mais informação" sobre esta matéria do que há alguns anos e, por essa razão, "passar para outra dimensão, ter experiências fora do corpo ou ser visitado por pessoas mortas é hoje considerado normal no contexto das experiências de quase-morte".
"Nada disto agora é considerado paranormal, mas é visto como normal numa experiência de quase-morte", frisou, acrescentando que muita da informação actualmente disponível "está validada por revistas científicas de medicina".
Numa intervenção seguida atentamente pela assistência, Atwater defendeu que "não se pode falar de experiências de quase-morte sem referir os seus efeitos posteriores", que podem incluir mudanças estruturais no cérebro, alterações no sistema nervoso e diferente sensibilidade na pele.
Com base dos depoimentos que tem vindo a recolher, desde que iniciou as suas investigações sobre a matéria, a especialista norte- americana salientou que a luz que é vista pelas pessoas numa experiência de quase-morte "nem sempre é branca, muitas vezes é negra ou púrpura, mas é sempre quente e confortável".
"A pessoa entra num mundo diferente, onde pode ver familiares e amigos que morreram, até mesmo animais de estimação", afirmou, acrescentando que se segue uma "recordação da vida passada desde o nascimento e a visão dos efeitos que a sua morte provoca nos amigos e familiares".
Em muitos casos, envolve uma experiência fora do corpo, tendo Atwater revelado que algumas pessoas "saem do quarto e vão para casa, deixando o corpo no hospital, onde voltam depois para regressar ao corpo".
"A experiência de quase-morte responde à nossa fome de espiritualidade, à nossa vontade de saber o que há depois (da morte)", frisou, acrescentando que estas experiências "dão muitas informações sobre a morte, mas também sobre a vida".
As investigações que realizou sobre esta matéria, levam a especialista norte-americana a concluir que "não existe apenas um céu e um inferno, mas vários", o que significa que "não existe um único sítio para onde vão todos".
"Isto quer dizer que há escolha, não se está condenado a ir para um único local, apenas se pensa que se está condenado a isso", defendeu, frisando que esta questão "não tem nada a ver com a religião, porque as experiências acontecem com pessoas de todas as religiões".
"Estas experiências levam-nos a concluir que somos todos almas, que estamos aqui para experimentar e que a morte não acaba com a vida, apenas com esta forma de vida", concluiu, para receber os aplausos da assistência, uma parte da qual decidiu sair da sala no final desta intervenção, talvez para tentar assimilar toda a informação recebida em pouco menos de 30 minutos.