Abandono escolar e negligência são problemas mais graves

O absentismo com o consequente abandono escolar e várias formas de negligência foram hoje considerados os problemas mais graves apresentados este ano à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Torres Vedras.

Agência LUSA /

"A problemática mais frequente é o absentismo e o abandono escolar cujas causas são quase sempre a desresponsabilização dos pais que desvalorizam a escola preferindo que os filhos vão trabalhar", afirmou Helena Mourão, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Torres Vedras.

A responsável falava sobre o trabalho desenvolvido pela comissão entre Janeiro e Outubro no âmbito dos "Encontros para a Solidariedade", a decorrerem em Torres Vedras e onde estão a ser debatidas questões como a exclusão, o surgimento da violência, a indisciplina na sala de aula e menores em risco.

Helena Mourão disse que outras causas identificadas e que levam ao absentismo e abandono da escola são "as relações conflituosas entre professores e outros alunos e os conteúdos pouco atractivos".

A responsável classificou igualmente de "muito grave casos de negligência dos pais que vão desde a falta de cuidados com a alimentação e saúde das crianças a deixá- las entregues a si próprias sozinhas em casa".

Segundo divulgou a comissão, foram abertos este ano 117 processos (correspondentes ao mesmo número de crianças ou jovens) e as instituições que denunciam mais casos de risco são as escolas (33) e a polícia (21), seguindo-se os vizinhos (nove) e o Ministério Público (sete).

A comissão identificou também casos de maus tratos físicos e psicológicos e exposição dos menores à violência doméstica, discussões e a situações de toxicodependência.

"Muitas vezes a comissão acaba por não conseguir retirar a criança do perigo em que se encontra, já que só pode intervir com o consentimento expresso dos pais ou dos seus representantes legais, e então o caso tem que seguir para tribunal", disse Licínia Cristóvão, outra técnica da comissão durante o encontro.

A responsável acrescentou que "a comissão tenta sempre que o menor fique junto da família, mas essa decisão acaba muitas vezes por ficar a cargo dos tribunais que optam por as colocar em instituições".

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