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Polícia retirou tendas dos manifestantes em Lisboa e no Porto

Acampada de Lisboa decide ficar apesar de avisos da PSP

Acampada de Lisboa decide ficar apesar de avisos da PSP

A Acampada de Lisboa decidiu esta noite manter o protesto contra as condições de vida e a crise na habitação, apesar de a polícia ter "solicitado a saída para evitar uma retirada coerciva".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Pedro Santos - Lusa

Através de uma mensagem transmitida por megafone às centenas de pessoas que se mantêm na Praça D. Pedro IV, no Rossio, a porta-voz para a comunicação da Acampada de Lisboa, Ana Luíza, transmitiu um contacto feito com a Polícia de Segurança Pública (PSP) pela meia-noite, no qual se terá "solicitado a saída para evitar uma retirada coerciva, dizendo que podia acontecer a qualquer momento, mas sem hora marcada".

A posição assumida pelos manifestantes, em resposta, foi: "somos muitos e vamos continuar aqui".

A seguir foi comunicada a estratégia de resposta, que passa pela designação de um sinal, a cruz ao estilo de Xutos e Pontapés, caso haja intervenção policial.

Dado o sinal, os manifestantes deverão formar um cordão em volta das dezenas de tendas que estão instaladas na praça.

"Não nos querem ouvir, temos de gritar mais alto e defender o nosso perímetro. Estamos a proteger os nossos sonhos e a garantir o direito à habitação", disse António Tonga, um dos porta-vozes da Acampada de Lisboa.

A manifestação contra as condições de vida e a crise na habitação começou no Porto, no dia 10, e mantém-se até hoje com dezenas de tendas montadas na Praça D. João I.

Na madrugada de quinta-feira ocorreu uma carga policial naquela praça que causou perto de 40 feridos.

Também em Lisboa dezenas de tendas estão desde sábado montadas no Rossio.

A Acampada de Lisboa, coletivo informal, horizontal e diversificado, com o lema "Não dá mais? Então monta a tua tenda!", voltou a juntar na segunda-feira centenas de pessoas, a partir das 19:00, numa assembleia aberta.

Por volta dessa hora, a PSP prometeu "esgotar ao máximo a via do diálogo" com os promotores dos protestos pelo direito à habitação em Lisboa e Porto, mas avisou que vai haver uma intervenção policial caso as tendas não sejam desmontadas.

"Há um limite. Se não for possível pela via do diálogo e negociação, terá de haver uma intervenção da PSP", disse à Lusa o porta-voz da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, avançando que os manifestantes em Lisboa e no Porto estão a cometer uma "série de irregularidades".

Segundo a PSP, em causa está um "acampamento ilegal", uma vez que os manifestantes não têm qualquer licença das autarquias para montarem as tendas no Rossio e na Praça D. Joao I; o facto de a lei não permitir manifestações e ocupação do espaço público depois da meia-noite e desrespeito pela lei do ruído.

A base da estátua de D. Pedro IV e de quatro figuras femininas que simbolizam as alegadas virtudes do monarca - prudência, justiça, fortaleza e moderação - já não tem espaço livre para cartazes, de modo que as reivindicações já extravasaram para a própria calçada.

"Não tenho casa, também me vão tirar a tenda?", questiona-se.

Um cartaz elenca as exigências do movimento: reversão da nova lei do arrendamento; fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional; travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários; aumento da habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais; aplicar tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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