Acesso das Olaias ao Bairro da Picheleira continua interdito

A reabertura do único acesso directo da Rotunda das Olaias ao Bairro da Picheleira, anunciado pela Câmara para terça-feira passada, está ainda dependente da reposição do pavimento, arrancado devido às obras de um empreendimento imobiliário, disseram fontes autárquicas.

Agência LUSA /

O encerramento daquela via a 15 de Dezembro, autorizado pela Câmara de Lisboa após ceder o espaço ao empreendimento imobiliário Jardins Expo, originou os protestos da Junta de Freguesia do Beato e da população local.

Os moradores da Picheleira queixam-se que a alteração do tráfego os obriga a circular em labirinto para sair do bairro, onde residem 5.000 pessoas.

A 13 de Janeiro, durante uma reunião entre Carmona Rodrigues e uma delegação da Junta de Freguesia do Beato, que expôs os seus argumentos para que os acessos ao bairro fossem mantidos, o autarca garantiu que a via iria manter-se.

Agora, o acesso, cuja reabertura chegou a ser anunciada pela Câmara de Lisboa para terça-feira, afinal precisa de obras de pavimentação e reposição dos passeios.

Fonte da CML explicou hoje à Lusa que os técnicos do Departamento de Trânsito constataram no dia em que iam reabrir a via que era necessário "colocar um tapete betuminoso", mas garante que a reabertura será feita "o mais rápido possível".

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia do Beato, Joaquim Cunha, afirmou que a primeira coisa que o promotor imobiliário fez foi "colocar um gradeamento e levantar o tapete (pavimento)".

Agora, afirma o autarca, é necessário reconstruir os passeios e o pavimento e não se sabe quando vai reabrir ao trânsito.

O assunto foi alvo de uma moção, aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Lisboa, a recomendar a reabertura da via à CML, cujo presidente, Carmona Rodrigues, prometeu realizar todos os esforços nesse sentido.

"O presidente da Câmara disse que ia fazer todos os esforços para que a rua fosse reaberta, mas não disse quando", indicou Joaquim Cunha, adiantando que não vê qualquer trabalho de reconstrução em curso no local.

A questão tem mobilizado a população, que quinta-feira se reuniu em mais uma sessão pública, em que participaram 120 pessoas, de acordo com Joaquim Cunha.

Na reunião foi aprovada, por unanimidade, uma proposta segundo a qual "o Plano de Urbanização do Vale de Chelas, apresentado à Junta de Freguesia e à população, nunca previu a construção de qualquer lote naquele local".

Os moradores reuniram 1.200 assinaturas a enviar ao primeiro- ministro, presidente da Câmara de Lisboa, Presidente da República, Provedor de Justiça e Procurador-Geral da República.

Exigem, não só a reabertura do acesso, mas que se mantenha como espaço público.

Fonte da Câmara de Lisboa avançou terça-feira à Lusa que vai ser feito um estudo urbano para requalificação daquela zona.

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