Acidente Elevador da Glória. Vítimas exigem respostas e apoio um ano após a tragédia

Acidente Elevador da Glória. Vítimas exigem respostas e apoio um ano após a tragédia

Um ano após o trágico acidente com o elevador, os familiares das vítimas continuam a exigir respostas, apoio efetivo e a célere apuração de responsabilidades.

RTP /
Em declarações à RTP, Nuno Pinto Coelho Faria, advogado que representa as famílias afetadas, fez o ponto de situação do processo e partilhou as preocupações centrais que motivaram o envio de uma carta aberta às entidades públicas.

Segundo o representante legal, a sensação dominante entre as famílias é a de um constante "impedimento de acesso à informação" e de estagnação do processo no que concerne aos apoios concretos. Nuno Pinto Coelho Faria recorda que, há seis meses, a comissão de familiares dirigiu-se ao Presidente da República para expor a falta de acompanhamento por parte dos serviços oficiais. Embora essa intervenção tenha permitido acelerar, em certa medida, a interação com a Carris, a Câmara Municipal e os órgãos de investigação, as negociações em torno das indemnizações continuam num impasse sem desfecho à vista.

Para o advogado, o grande obstáculo reside na forma como a tragédia está a ser abordada pelas companhias de seguros e autoridades, equiparando este evento a um simples acidente de viação. Pinto Coelho Faria sublinha que se trata de uma "tragédia coletiva singular" e que não pode ser tratada com base nos parâmetros normais de sinistros do dia a dia. Aponta ainda o contraste entre a rápida inauguração de um memorial por parte da autarquia e a ausência de esclarecimentos sobre o que de facto originou a tragédia: "Vamos inaugurar um memorial sem saber nada do que se passou", vincou.

Em contrapartida, o representante dos familiares elogiou a atuação do Ministério Público, considerando que a investigação criminal tem sido conduzida com "rigor assinalável", cautela e recurso a meios técnicos adequados. No entanto, o advogado adverte que a responsabilidade não se esgota na esfera criminal. Pinto Coelho Faria assinala que o Estado falha na vertente legislativa e de apoio civil, onde persistem lacunas na regulamentação e na resposta atempada aos direitos das vítimas e dos seus familiares.

Nuno Pinto Coelho Faria criticou a falta de experiência da Câmara Municipal de Lisboa na resposta ao desastre e sublinhou a necessidade de uma reação séria perante os riscos existentes.

Para o advogado a criação do memorial por parte da autarquia, transparece um "assumir de responsabilidade" e tenta suavizar o "sabor amargo" deixado pelas declarações iniciais da Carris, que negava falhas de manutenção.

Sobre a duração do processo, Pinto Coelho Faria admitiu que a resolução judicial poderá arrastar-se por cinco anos ou mais, consoante a posição das entidades envolvidas nas negociações. Ainda assim, manifestou esperança numa justiça célere, dada a relevância pública do caso.
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