Acidente em fábrica de pirotecnia mata patrão e trabalhador
Uma explosão no paiol da fábrica de Pirotecnia "Fogos de Artifício António Silva" na freguesia de Calde, em Almargem no distrito de Viseu, provocou na manhã deste sábado duas mortes alegadamente quando compactavam cartuchos.
13 vítimas mortais nos últimos cinco anos
• 31 de Janeiro de 2005 - explosão do paiol de uma fábrica de pirotecnia em S. Paio de Antas, Esposende, mata um trabalhador.
• 30 de Março de 2005 - morre uma funcionária numa explosão numa fábrica de S. Vicente de Ponte, Vila Verde.
• 30 de Junho de 2005 - explosão numa oficina de Nespereira Alta, S. Pedro do Sul, provoca três mortos e um ferido grave.
• 26 de Setembro de 2006 - morre um dos quatro feridos numa explosão numa fábrica de pirotecnia de Vila do Conde.
• 08 de Junho de 2006 - o filho do dono de uma oficina da freguesia de Calde, Viseu, morre numa explosão que causou outros dois feridos.
• 07 de Agosto de 2008 - explosão numa oficina de Ponte de Lima causa ferimentos em oito trabalhadores, um dos quais acabou por falecer nove dias depois.
• 04 de Junho de 2009 - explosão na fábrica de S. Vicente de Passos, concelho de Fafe, fere gravemente o respectivo proprietário.
• 17 de Fevereiro de 2010 - dois trabalhadores morrem na oficina de pirotécnica da Póvoa do Lanhoso.
• 04 de Maio de 2010 - Um morto e dois feridos graves num acidente numa fábrica em Canidelo, Vila do Conde.
"Provavelmente, numa dessas manobras algo fez uma ignição" e provocou "aquele tipo de explosão", explicou.
O soldado da paz considera que "houve de certeza qualquer ponto de ignição, porque para além da destruição ainda havia fogo verdadeiro" no paiol, que os bombeiros, chamados ao local, extinguiram com alguns baldes de água.
As vítimas mortais são o proprietário da fábrica, de 57 anos, e um funcionário, que "teria mais ou menos a mesma idade".
O alerta terá sido dado por um automobilista passava na Estrada Nacional 2 e relatou ter visto fumo.
"Dirigimo-nos para o local e, qual não foi o nosso espanto, quando chegámos já não havia fumo nenhum", contou.
Numa primeira abordagem a um filho do proprietário da quinta os bombeiros chegaram a suspeitar de "um falso alarme" perante a negação de ter existido "alguma experiência com foguetes.
"De seguida, insisti de novo com o senhor e à segunda tentativa tentou entrar em contacto com o pai via telemóvel e ele (o proprietário) não respondeu. Ficámos naquele impasse por dois ou três minutos. De seguida, ouvimos chamar ‘senhores bombeiros, socorro', bastante longe de onde estávamos, para aí a uns 500 metros", recordou.
Dirigiram-se então a pé para o local, uma vez que a zona é inacessível de carro e, ao chegarem, encontraram "um cenário desolador".
"Um dos paióis totalmente destruído, componentes da edificação a mais de cem metros, com um ferido bastante grave dentro do próprio barracão" - o funcionário, que veio a falecer antes de chegar ao local uma ambulância e a Viatura de Emergência Médica.
Amadeu Oliveira esclareceu que o proprietário foi encontrado "a cerca de 30 metros do paiol, bastante mal tratado", já cadáver e "completamente nu".
A fábrica de pirotecnia só tinha licença para compra e revenda de foguetes, segundo fonte policial citada pela Lusa.
"Apenas tem licença para compra e revenda de foguetes. No que respeita ao fabrico, estavam em fase de licenciamento", explicou.
Ao local deslocaram-se cinco elementos da PSP de Viseu, sendo três do Núcleo de Armas e Explosivos e dois da Equipa de Inactivação de Explosivos.
Fonte policial informou entretanto que, "não foram encontrados indícios de terem armazenados produtos por eles fabricados".
Para tentar concluir sobre a causa do acidente, devem deslocar-se à fábrica nos próximos dias elementos do Departamento de Armas e Explosivos da Direcção Nacional da PSP.
Empresários de pirotecnia reclamam revisão global da legislação
Na sequência do trágico acidente qdeste sábado em Almargem, o Presidente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), António Rodrigues, defendeu uma revisão global da legislação que regulamenta o sector da pirotecnia, para a conformar com as exigências actuais
A revisão já foi solicitada ao ministro da Administração Interna. "Uma das nossas maiores preocupações era fazer uma revisão total da legislação, para que de alguma maneira reflectisse o actual estado da arte", sustentou, frisando essas alterações são reclamadas "há cerca de uma década".
De acordo com o presidente da ANEPE, há legislação muito antiga que está em vigor e que não se coaduna com as exigências actuais, e está em contradição com outras normas mais recentes.
O "sector vive alguns momentos de indefinição desde há alguns anos" devido a um "regulamento de licenciamento de estabelecimentos que obriga a cumprir coisas que quase são impossíveis de cumprir", acrescentou.
Em relação à situação das empresas, António Rodrigues admite que "haverá algum défice, aqui e ali, de transformações que os estabelecimentos deveriam ter em termos internos", mas em termos de segurança há cumprimento das normas, porque os equipamentos estão sujeitos a licenciamento.
Para António Rodrigues, há questões relacionadas com a implantação das fábricas, que a legislação deveria acautelar, para que fosse viabilizada a sua "deslocalização para locais mais distantes das povoações.
O problema agravou-se com o evoluir dos tempos porque "as fábricas já existem há muito tempo e quem se aproximou delas foram as populações", pelo que a solução passará pela sua deslocalização que deveria na óptica da associação concitar mais apoios e envolver os municípios com quem o poder central deveria dialogar.