acidentes de trânsito com trabalhadores portugueses devem-se à sobrecarga do horário laboral
Viana do Castelo, 24 Mai (Lusa) - Muitos dos acidentes de trânsito envolvendo trabalhadores portugueses na Galiza acontecem devido à "enorme sobrecarga" do seu horário laboral, já que chegam a cumprir mais de 11 horas diárias, disse hoje à Lusa um responsável sindical.
O secretário nacional da Confederação Intersindical Galega para o sector da construção, Xosé Melón, garantiu que, em média, cada português que trabalha na construção civil na Galiza cumpre entre 10 a 11 horas diárias, mas há muitos que chegam a ultrapassar essa carga horária.
"Depois é evidente que isso se reflecte na condição física dos trabalhadores e na sua agilidade e capacidade de reacção, nomeadamente quando se sentam ao volante para fazerem longas viagens", acrescentou.
Xosé Melón reagia, assim, ao acidente de viação que sexta-feira à noite ocorreu em Lugo, na Galiza, onde morreram três trabalhadores português e outros dois ficaram gravemente feridos.
As vítimas seguiam todas numa furgoneta, em direcção a Peso da Régua, de onde os trabalhadores são naturais.
"Os portugueses cumprem horários laborais que são verdadeiramente assassinos, e a culpa é tanto das empresas empregadoras como dos governos dos dois países, que continuam a fechar os olhos a toda uma série de ilegalidades no trabalho luso na Galiza", acrescentou Melón.
Este responsável sindical já denunciou publicamente o alegado "dumping laboral" dos portugueses que trabalham na construção civil na Galiza, "aceitando trabalhar em condições muito precárias, o que configura uma situação de concorrência desleal" para os galegos.
Segundo Melón, os portugueses não têm um salário fixo, aceitando ser pagos à hora, o que "conduz imediatamente" a jornadas de trabalho de 10 ou 11 horas, quando a lei laboral impõe apenas oito.
Uma hora de trabalho português poderá custar ao patrão cinco ou seis euros, enquanto os galegos recebem nove euros.
Além disso, os portugueses também não têm direito a férias, subsídios de Natal ou qualquer indemnização no final dos contratos.
VCP.