Acidentes pontuam Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

Cinco mortos e três feridos compõem o balanço de dois acidentes rodoviários ocorridos em território português no dia em que o país assinala o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. De Norte a Sul, diferentes acções de sensibilização ajudam a recordar os perigos de uma condução negligente. Em dez anos, morreram cerca de 13 mil pessoas nas estradas.

RTP /
O Dia em Memória das Vítimas da Estrada é uma data fixada pela ONU para lembrar os perigos de uma condução descuidada Paulo Cunha, Lusa

Na noite de sábado, elementos do Governo Civil do Porto percorreram as zonas de diversão nocturna da cidade com o objectivo de sensibilizar os jovens para o perigo do consumo excessivo de álcool. Mas as acções de sensibilização estenderam-se, este domingo, a todos os distritos do país.

Segundo os últimos números provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, entre 1 de Janeiro e 7 de Novembro, morreram 629 pessoas em acidentes nas estradas portuguesas. Os feridos graves ascendem a 2.164. Em igual período de 2008, a compilação de dados da PSP e da GNR referia 642 vítimas mortais e 2.179 feridos graves.

O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, marcaram presença em Serzedo, concelho de Guimarães. Os governantes homenagearam 56 vítimas da sinistralidade rodoviária numa cerimónia em plena Estrada Nacional 101 - no local onde morreram três bombeiros voluntários de Esposende que rumavam a Fafe para dar resposta a um incêndio florestal.

À margem das cerimónias oficiais, o movimento cívico Estrada Viva - Liga contra o Trauma assinalou a efeméride em Sintra, contando com a colaboração da Câmara Municipal.

Cinco mortos em dois acidentes

O dia fica para já marcado por dois acidentes rodoviários que tiveram um saldo de cinco vítimas mortais e três feridos.

O primeiro acidente ocorreu cerca das 2h30 no IC32, entre Coina e o Barreiro. Três ambulâncias do Barreiro e duas viaturas do Instituto Nacional de Emergência Médica foram chamadas ao local do despiste de um veículo ligeiro, que causou quatro mortos e um ferido grave. Quatro das cinco vítimas do despiste, com idades compreendidas entre os 16 e os 20 anos, morreram no local.

Mais tarde, cerca das 7h00, o despiste de um ligeiro na Estrada Nacional 17, em Catraia de São Romão, concelho de Seia, fez um morto e dois feridos. Segundo os Bombeiros Voluntários de São Romão, citados pela agência Lusa, as duas pessoas feridas foram transportadas para o Hospital de Seia.

Só no sábado a GNR deteve 61 condutores em operações de trânsito efectuadas em todo o país. A maioria das detenções esteve relacionada com a condução sob efeito de álcool (36) e a falta de carta de condução (19).

Ministro admite rever funcionamento da UNT

Em Guimarães, o ministro da Administração Interna confirmou estar a proceder a um balanço do funcionamento da Unidade Nacional de Trânsito (UNT) da GNR, mas afastou a ideia de uma reactivação da Brigada de Trânsito (BT).

"Nós não voltamos ao passado quando encaramos soluções de futuro. Aquilo que hoje está em cima da mesa é fazer o balanço de cerca de dois anos de actividade da UNT e mudar tudo o que for necessário para responder às necessidades de fiscalização", afirmou Rui Pereira à margem da cerimónia do Dia em Memória das Vítimas da Estrada.

A Brigada de Trânsito foi extinta a 1 de Janeiro no quadro da regulamentação da Lei Orgânica da GNR, dando lugar à Unidade Nacional de Trânsito. Perto de dois mil operacionais foram entretanto colocados nos destacamentos de trânsito dos 18 comandos territoriais do Continente. Cento e sessenta militares da antiga Brigada de Trânsito foram transferidos para a nova UNT, a operar em Lisboa e Porto. A extinção da BT tem vindo a suscitar contestação interna - os militares da brigada extinta fizeram mesmo chegar à Assembleia da República uma petição a exigir a integração na UNT.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda, José Alho, afiançou que o ministro Rui Pereira reconheceu, durante uma reunião com a estrutura na quinta-feira, que a extinção da Brigada de Trânsito "foi um erro".

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