ACIME cria gabinete especializado para a comunidade cigana
O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas criou um gabinete de apoio especialmente dirigido à etnia cigana, que está a trabalhar em projectos de inclusão escolar e a formar pessoas que aproximem aquelas comunidades dos serviços estatais.
Em declarações à Agência Lusa, o Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques, disse hoje que a criação do novo gabinete visou "dar mais solidez e apoio a serviços que já existiam" bem como abrir caminho a novos projectos.
As linhas de intervenção do novo Gabinete de Apoio às Comunidades Cigan as (GACI) - que deu os primeiros passos no final do ano passado - centram-se no reforço na inclusão social de crianças de etnia cigana nas escolas, formação de mediadores em dez municípios e apoio ao associativismo, entre outros.
"Há consciência de que é necessário fazer mais e melhor para melhorar a integração da comunidade cigana", disse Rui Marques, até porque "nunca se ating irá a integração completa das comunidades ciganas".
O Gabinete visa desenvolver, através do Programa "Cigadania" (que conce ntra o essencial das actividades do Gabinete), vários projectos de intervenção n o terreno, assim como a formação de professores, técnicos de intervenção social e mediadores ciganos.
Este serviço, que até a criação do GACI era prestado através do Gabinet e de Apoio Técnico às Associações de Imigrantes e Minorias Étnicas (GATAIME), va i também lançar, em Abril, um site na Internet para fomentar um melhor conhecime nto das populações ciganas e uma maior divulgação dos projectos e actividades qu e as envolvem.
Segundo Rui Marques, dos 120 projectos que se encontram em desenvolvime nto a nível nacional através do "Programa Escolhas" - que decorre até 2009 e tem como objectivos principais a promoção da inclusão social de crianças e jovens e m contextos socio-económicos mais vulneráveis - pelo menos "20 abrangem a etnia cigana".
"Estão também previstos seminários sobre a habitação para as comunidade s ciganas, a constituição de vários grupos de trabalho e o desenvolvimento de ma teriais informativos que ajudem à promoção social desta comunidade junto da popu lação", acrescentou.
Para Rui Marques "é preciso diferenciar a questão da integração das com unidades de imigrantes e as comunidades ciganas".
"Um cidadão imigrante tem uma série de limitações legais para trabalhar e a própria limitação da língua impede por exemplo que filhos de imigrantes ate ndam as escolas portuguesas", afirmou o responsável.
Já "o cidadão de etnia cigana não tem este tipo de limitações, uma vez que é um cidadão português de pleno direito", sublinhou.
Num relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (E CRI) apresentado no início do mês em Lisboa, a comunidade cigana aparecia como " a minoria mais discriminada em Portugal", enfrentando maiores dificuldades no ac esso à educação, aos serviços públicos e à habitação, bem como a possibilidade d e exercer uma actividade económica.
Segundo o Alto-comissário, a análise efectuada pelo relatório correspon de "apenas em algumas pontos", uma vez que "vários factores não foram ponderados ".
"Facto é que ninguém pode ser integrado à força e creio que nesse senti do o relatório da ECRI é algo incompleto", disse Rui Marques.
"Dentro da comunidade cigana existem dificuldades - como abandono escol ar e as questões de género, nomeadamente o estatuto da mulher cigana - que impli cam que a própria comunidade siga o seu caminho, o que dificulta a integração", sublinhou o Alto-Comissário.
A "integração não pode ser conseguida através do mandatário do Estado", afirmou Rui Marques.