Açorianos nas Bermudas não são motivo de preocupação
A directora regional das Comunidades considerou hoje não constituir motivo de preocupação a situação dos emigrantes açor ianos que trabalham nas ilhas Bermudas e que têm que regressar aos Açores no final dos contratos de seis anos.
Em declarações à agência Lusa, Alzira Silva salientou que a emigração para as ilhas Bermudas "foi sempre temporária, ao contrário da que se verificou p ara a América do Norte", e que os emigrantes "quando assinam os contratos já sab em, à partida, o tempo da sua permanência e não vão com expectativas de lá ficar ".
No início de Maio, um professor da Escola Portuguesa da Bermuda alertou para a situação de "intranquilidade" de cerca de quatro mil portugueses que tra balham na região e que têm que regressar no final dos contratos de seis anos, a sua grande maioria aos Açores.
Recentemente, o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, di sse que o Governo está a fazer "um levantamento exaustivo" da situação dos portu gueses que trabalham com contratos com essas regras.
"É certo que alguns gostariam de lá ficar, compreendo isto, mas são mui to pouco os eleitos que têm o privilégio de se tornar cidadãos bermudianos", dis se Alzira Silva, indicando que "não existe nenhum tipo de violência sobre o emig rante" na região.
Segundo Alzira Silva, as Bermudas são um arquipélago pequeno, onde os e migrantes ganham bons vencimentos, mas as leis são muito apertadas e as autorida des locais só aceitam a emigração temporária. Embora reconhecendo que ocorreu "uma mudança" na legislação, Alzira Sil va assegurou, porém, que no "essencial a dificuldade no acesso à cidadania é a m esma".
A lei determina que os portugueses que chegaram às ilhas Bermudas depoi s de 1989 não poderão ficar mais do que seis anos no arquipélago, sob soberania da Grã-Bretanha, e que se localiza perto da costa Leste dos Estados Unidos.
A responsável açoriana pela pasta das Comunidades apelou ainda aos açor ianos a trabalharem nas ilhas Bermudas "nunca deixem de mandar os seus filhos pa ra a escola portuguesa", tendo em conta o seu regresso ao país de origem.
Alzira Silva assegura, por outro lado, que esta questão da escola é um assunto que "está a ser acompanhado" pelo Governo Regional, bem como "a ligação à terra" de origem dos emigrantes para "os regressos não terem impactos negativo s".
Além disso, acrescentou, o Governo Regional está a acompanhar a situaçã o da "falta de um cônsul em permanência" nas Bermudas, e cujo funcionamento é as segurado por uma funcionária, que não tem poderes legais para tomar decisões.