ACSS recua e permite jovens médicos escolher centro de saúde
Porto, 25 nov (Lusa) -- Os jovens médicos já podem escolher o centro de saúde onde querem ter formação em Medicina Geral e Familiar, após recuo da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), disse hoje à agência Lusa um dos visados.
"Conseguimos que a seriação que foi feita numa prova nacional, um exame para o qual nos preparamos durante vários meses, vai ser tida em conta e os candidatos vão escolher não só a sua área de formação, ou seja, a sua especialidade, como também o local onde farão essa especialidade", afirmou Pedro Moreira.
Mais de 300 médicos, mobilizados sobretudo através do Facebook, subscreveram nos últimos três dias um abaixo-assinado em que contestavam a "falta de equidade" na candidatura, que começava hoje, às vagas de formação na especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF).
Fonte da Ordem dos Médicos disse quinta-feira à Lusa que os médicos internos a terminar o chamado "Ano Comum" (primeiro ano após a formação universitária de seis anos) estavam "revoltados" com a alteração do processo de candidatura às vagas de MGF, que os obrigava a concorrer por agrupamentos regionais e não por unidades de saúde.
"Há colegas que, perante esta indefinição, estão a desistir de Medicina Geral e Familiar e a equacionar outras especialidades", disse então à Lusa uma das subscritoras, Andreia Castro.
De acordo com Andreia Castro, "há no total 1.403 médicos do Ano Comum que se vão candidatar a formação específica, dos quais 30 por cento deverão, em princípio, preencher as 415 vagas para MGF", a única especialidade a que não estava a ser permitida a escolha do local de formação.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Saúde argumentou quinta-feira que, de acordo com a lei, "os ACES [agrupamentos de centros de saúde] são serviços de saúde com autonomia administrativa", pelo que neste concurso "não se procedeu à discriminação por centros de saúde".
"Aliás, este mesmo princípio foi observando no âmbito das especialidades hospitalares, se tomarmos como exemplo os centros hospitalares que, à semelhança dos ACES, integram várias unidades de saúde, como é o caso do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e as unidades locais de saúde", acrescentou a fonte.
Apesar deste posicionamento, Pedro Moreira referiu que hoje "houve um recuo e os candidatos puderam efetivamente escolher o local específico da sua formação, tal como acontece para as vagas comummente designadas hospitalares, à semelhança do que acontecia nos outros anos".
Contactado também pela Lusa, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, manifestou-se solidário com os médicos do "Ano Comum", afirmando que a possibilidade de escolha do local de formação é uma questão de "justiça" que decorre da própria seriação dos candidatos pela ordem de classificação obtida no exame nacional.