Activistas protestam frente à Benetton no Porto e Lisboa

Activistas das associações Animal e "People for the Ethical Treatment of Animals" (PETA) protestam terça e quarta-feira, respectivamente no Porto e Lisboa, contra as alegadas "atrocidades" cometidas contra os cordeiros pela indústria australiana de lã.

Agência LUSA /

Em comunicado, a Animal adianta que as acções de protesto decorrerão frente às lojas da cadeia de roupa Benetton na rua de Santa Catarina e rua Garret, respectivamente, que acusam de usar lã proveniente da Austrália.

A iniciativa, explica, insere-se numa campanha internacional destinada a incentivar as cadeias retalhistas a parar a venda de roupa fabricada com lã australiana "até que a abominável prática denominada +mulesing+ (esfolamento em vida) e a exportação de ovelhas vivas sejam proibidas".

Durante o protesto, os activistas distribuirão panfletos informativos aos potenciais consumidores com dados sobre estas alegadas "atrocidades" cometidas contra os cordeiros e ovelhas pela indústria australiana de lã.

Em causa está o que a Animal descreve como uma "cruel mutilação" por parte dos criadores de gado australianos, que alegadamente utilizam tesouras de jardinagem "para retirar pele e carne dos lombos dos cordeiros sem o uso de qualquer anestesia".

"Trata-se - explica - de uma forma barata de evitar a infestação de larvas, embora se pudessem aplicar métodos de controlo mais éticos e sofisticados".

Adicionalmente, refere a Animal, "quando a sua lã deixa de ser necessária, milhões de ovelhas são enviadas para o Médio Oriente, enfrentando condições climatéricas extremas, a bordo de navios de vários andares e de convés aberto".

Durante a viagem, garante, "muitas ovelhas doentes e feridas, tratadas como simples mercadoria, são atiradas borda fora ou trituradas vivas em máquinas de maceração", enquanto as sobreviventes "morrem degoladas quando ainda estão totalmente conscientes".

De acordo com a Animal, depois de vários anos de pedidos ao Governo australiano para que termine com estas "atrocidades", a PETA anunciou em Outubro passado um boicote internacional à lã australiana, tendo já obtido o apoio de retalhistas como a Abercrombie & Fitch (EUA) e a George e New Look (Reino Unido).

Com a campanha de terça e quarta-feira em Portugal, a PETA e a Animal pretendem apelar aos consumidores para que boicotem os produtos da Benetton "até que a empresa se comprometa a parar de utilizar lã australiana".

"Estamos a bombardear a Benetton com anúncios e protestos em todo o mundo com vista a alertar o público para o apoio dado pela empresa à crueldade", sustenta a PETA, para quem "as cores unidas [da marca italiana] estão a tornar-se vermelho-sangue".

Em comunicado emitido a 15 de Fevereiro face à polémica gerada em torno desta questão, o grupo Benetton afirma não pretender aderir aos apelos da PETA para boicote à lã australiana e garante que "sempre dedicou grande atenção ao respeito dos valores éticos e sociais".

"O grupo Benetton foi injusta e incorrectamente envolvido pela PETA numa disputa com a indústria de lã australiana, apesar de não ter qualquer relação directa com a criação de ovelhas na Austrália", refere no comunicado.

Segundo adianta, o grupo pediu esclarecimentos aos seus fornecedores sobre a origem da lã que utilizam, ao que estes responderam que toda a lã australiana provém de criadores que recorrem ao +mulesing+ e que esta técnica é "essencial para evitar a morte de milhões de ovelhas".

Já a PETA, por seu lado, sustenta que entre 20 e 40 por cento da lã australiana provém de produtores que não recorrem ao +mulesing+.

Face à divergência entre estas posições, a Benetton "convida as partes a clarificarem definitivamente os factos" e salienta que o grupo sempre privilegiou a lã proveniente de produtores éticos, recorrendo a diferentes fontes internacionais de lã.

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