Adelino Salvado ofereceu cargo de Morgado meses antes da sua demissão

por RTP Multimédia
Denúncia feita por Cunha Lopes em comissão parlamentar João Relvas/ LUSA

O ex-responsável pelo combate ao banditismo da Polícia Judiciária, Pedro da Cunha Lopes, revelou em comissão parlamentar que o director nacional da PJ lhe ofereceu o lugar de Maria José Morgado por pressão da ministra da Justiça. Adelino Salvado negou.

"O cargo ocupado por Maria José Morgado foi-me oferecido pelo director nacional da PJ, que na altura me disse que a ministra da Justiça não via com bons olhos a continuidade no lugar" da procuradora-geral-adjunta, declarou Cunha Lopes.

O ex-responsável pelo Departamento Central de Combate ao Banditismo precisou que a proposta lhe foi apresentada há três meses, quando Salvado estava a constituir a equipa dirigente.

Na sua intervenção incendiária, Cunha Lopes admitiu ainda que sofreu interferências externas à polícia no decurso de uma investigação que deveria ter sido conduzida por si.

Sem entrar em pormenores, por ser uma questão em segredo de justiça, o ex-responsável relatou que o ex-secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, João Salgueiro, lhe comunicou verbalmente qual seria o rumo de uma certa investigação, alegando o "conhecimento e autorização" de Adelino Salvado.

"Gostava de falar mais mas não posso por causa do segredo de justiça", afirmou, notando que o "incidente" suscitado por este caso o fez "temer" pelo seu futuro na PJ. Cunha Lopes garantiu não ter sofrido "directamente" pressões políticas, reiterando ter "conhecimento indirecto de outras situações".

As declarações do ex-responsável corresponderam às de Maria José Morgado, quando esta afirmou que era "um facto público e notório que a minha permanência naquele local não era desejável".

Director da PJ desmente

Ouvido na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdade e Garantias, Adelino Salvado negou que tenha convidado o juiz Pedro da Cunha Lopes para chefiar o combate ao crime económico.

O director nacional da PJ garantiu "desconhecer" se Morgado era considerada "persona non grata" pela ministra da Justiça. "Esta comissão sabe mais do que eu", disse, solicitando ser interrogado com "factos e não com insinuações".

Salvado repetiu a ideia de que a demissão de Maria José Morgado se ficou a dever a questões de natureza "estratégica e operacional". O dirigente salientou novamente que se enganou na escolha de Cunha Lopes para a sua equipa, argumentando que este não tinha uma estratégia definida para a PJ.

O director nacional da PJ refutou a tese de que está a "cumprir uma missão político-partidária" para diminuir a combatividade da força policial. Numa intervenção de quase hora e meia, assegurou que a saída de Morgado não se traduzirá num esmorecimento da luta contra o crime económico.
pub