Adesão dos professores à greve "surpreendente" no distrito do Porto
A greve dos professores está a registar no distrito do Porto uma adesão "surpreendentemente elevada", segundo o Sindicato dos Professores do Norte (Fenprof), que realçou a existência de muitos estabelecimentos de ensino encerrados.
José Paulo Soalheiro afirmou à agência Lusa que "são muitas as escolas primárias encerradas e outras em vias de o ser", citando como exemplo escolas dos concelhos de Penafiel, Lousada e Porto.
"Sabíamos que o descontentamento dos professores era muito, mas não adivinhávamos uma adesão tão elevada na generalidade das escolas, principalmente depois da Federação Nacional da Educação (FNE) se ter demarcado do protesto" depois de chegar a um entendimento com a tutela, disse o dirigente sindical.
De acordo com os dados recolhidos até cerca das 10:00, José Paulo Soalheiro referiu que a grande maioria das escolas do distrito do Porto está com uma adesão superior a 80 por cento.
No Grande Porto, exemplificou com a Secundária de Ermesinde (85 por cento), EB 2,3 de Leça do Balio (96 por cento), EB 2,3 da Areosa (94 por cento), EB 2,3 de Rio Tinto (81 por cento) e Secundária Teixeira Lopes (80 por cento).
Também o presidente do conselho executivo da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo se manifestou surpreendido com a adesão registada naquele estabelecimento de ensino do Porto, onde dos 39 professores apenas um compareceu aos primeiros tempos de aulas.
"Nunca tinha assistido a uma adesão tão elevada como a de hoje", frisou o responsável da escola, que é frequentada por 850 alunos.
O presidente do conselho executivo da Escola Secundária Teixeira Lopes, em Gaia, afirmou aos jornalistas que dos 35 docentes que deveriam comparecer ao início da manhã apenas dez marcaram presença.
Com a greve de hoje os professores do ensino básico e secundário exprimem a sua oposição às medidas do Governo para o sector.
O dia de luta, que inclui uma "manifestação nacional" a partir das 15:00 em Lisboa, é o segundo protesto que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, enfrenta desde que assumiu a tutela em Março.
Na base desta paralisação está o alargamento do horário do primeiro ciclo, a reorganização da componente não lectiva, assim como medidas que afectarão toda a Administração Pública como o aumento da idade de reforma e o congelamento temporário da progressão nas carreiras.
A greve e manifestação foram convocadas pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e pelo Sindicato Nacional e Democrático de Professores (Sindep), aos quais se juntam sete estruturas sindicais independentes.
Inicialmente o protesto contava também com a participação da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), outra das mais representativas organizações do sector, que acabou por se demarcar da greve depois de chegar a um entendimento com a tutela.
Em Junho passado, os sindicatos dos professores promoveram quatro dias de greves regionais, que coincidiram com a realização de exames nacionais.