Administração da Lusa lamenta inflexibilidade dos sindicatos e manifesta-se disponível para diálogo
A administração da Lusa lamentou hoje a inflexibilidade demonstrada pelos sindicatos afetos à Lusa e reitera "a sua total disponibilidade para o diálogo" com todos os trabalhadores e representantes, depois das negociações terem terminado sem acordo.
"O Conselho de Administração [CA] da Lusa lamenta a inflexibilidade demonstrada pelos sindicatos e reitera a sua total disponibilidade para o diálogo com todos os trabalhadores e seus representantes", lê-se no comunicado enviado aos trabalhadores da agência de notícias.
Os contactos entre a administração e os sindicatos, tendo em vista o início de um processo negocial "que decorriam desde o passado mês de maio, foram hoje interrompidos" e, "ao longo dos últimos meses, as partes esforçaram-se para alcançar um entendimento que permitisse assinar um protocolo definidor do calendário e das matérias a negociar, para a redação conjunta de um novo Acordo de Empresa [AE]", refere o CA.
A administração "demonstrou disponibilidade para revogar a denúncia que fez do atual Acordo de Empresa e tomar como prioritárias as matérias remuneratórias na negociação" e "aceitou a proposta dos sindicatos para aplicar no vencimento bruto dos trabalhadores o aumento para 2027 e a atualização relativa a 2026, já a partir do próximo mês de janeiro", refere o CA, no comunicado.
A proposta da administração, "(antes de qualquer negociação) era de um aumento de 70 euros, o que implicaria a aplicação mensal de 14 euros como remanescente de 2026".
Mas, "infelizmente, na reunião desta manhã com os sindicatos, não foi possível ultrapassar o impasse relativo ao momento do pagamento do remanescente de 2026 (ou seja, 14 euros/mês) que a administração entende pagar com a conclusão da redação do futuro Acordo de Empresa, prevista para o próximo mês de junho", remata o Conselho de Administração.
Os sindicatos dos Jornalistas (SJ), dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE) e dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Atividades do Ambiente do Centro, Sul e Regiões Autónomas (SITE/CSRA) "irão refletir sobre futuras ações coletivas", lê-se num comunicado anterior enviado pelas estruturas sindicais.
"As negociações entre os Sindicatos e o Conselho de Administração da Lusa, ocorridas desde junho com vista a obter um acordo para assinar um protocolo negocial de revisão do Acordo de Empresa (AE) e aumentos salariais previstos no caderno reivindicativo de 2026, terminaram hoje sem acordo", referem os sindicatos, criticando que, "apesar da abertura negocial" das estruturas sindicais nos últimos três meses "e de relativos avanços entre as partes, a administração persiste na chantagem de condicionar os aumentos de 2026 e respetivos retroativos à celebração de um novo AE com condições particularmente gravosas para os trabalhadores".
Os sindicatos acusam o Conselho de Administração da agência de notícias de "intransigência", tendo comunicado que "vão requerer a conciliação no Ministério do Trabalho, nos termos da alínea b) do n.º 3 do artigo 523.º do Código do Trabalho, tendo em vista a obrigar o CA a negociar sem chantagens os aumentos salariais de 2026 e respetivos retroativos".
Em junho, prosseguem, "depois da denúncia hostil" do AE, em 28 de maio, "e da manifesta falta de vontade da administração em retirar essa denúncia -- tal como foi exigido em plenário pelos trabalhadores no dia 02 de junho de 2026 --, os Sindicatos requereram a arbitragem para a apreciação dos fundamentos da denúncia do atual AE no Conselho Económico e Social (CES)".
Contudo, apesar do "exercício deste direito em defesa dos trabalhadores da Lusa, os sindicatos mantiveram sempre disponibilidade negocial com a administração e, como sinal de boa-fé, propuseram suspender o processo no CES e encetar negociações diretas para a revisão do AE", salientam.
Tendo em conta essa proposta dos sindicatos, a administração "admitiu inclusivamente revogar a denúncia do AE e negociar diretamente, mas impôs um conjunto de condições negociais que, ao longo do processo, não obstante alguns avanços, se revelaram inaceitáveis para sequer dar início a um processo de negociação do AE", acrescentam.
Os sindicatos sublinham, no comunicado, que só por sua iniciativa "é que houve um diálogo, ainda que frustrado, nos últimos meses".
O objetivo, enfatizam os sindicatos, "foi auxiliar o Conselho de Administração a encontrar um caminho para reverter a denúncia e subsequente caducidade do AE, abrindo uma possível via negocial que contribuísse, no imediato, para a paz social na Lusa", referindo que a própria administração "admitiu que há recursos financeiros para negociar aumentos salariais adicionais relativos a 2026".
Mas, "dada a irredutibilidade da administração em condicionar esses aumentos salariais de 2026 e respetivos retroativos à celebração de um novo acordo, não foi possível, sequer, assinar um protocolo".
Os sindicatos salientam que "a assinatura de um protocolo negocial assente numa chantagem seria uma traição aos trabalhadores da Lusa".