Administração do Hospital do Litoral Alentejano admite externalizar Urgência

Santiago do Cacém, Setúbal, 27 fev (Lusa) - A presidente da administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) admitiu hoje externalizar a globalidade do serviço de Urgência do hospital, sediado em Santiago do Cacém, para resolver o problema da falta de médicos.

Lusa /

De acordo com a presidente da ULSLA, Maria Joaquina Matos, o "`outsourcing` global" daquele serviço do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), à semelhança do que acontece em "grande parte" dos hospitais espanhóis, é uma das alternativas que têm vindo a ser discutidas no seio da entidade.

No entanto, referiu hoje a administradora, a proposta "não é consensual por várias razões, inclusive por interesses instalados". Maria Joaquina Matos falava hoje aos jornalistas no seguimento da recusa dos médicos que "têm assumido" a chefia das equipas do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (SUMC) do HLA em continuar a assumir o cargo, decisão que deram a conhecer ao diretor clínico, na quinta-feira, através de um abaixo-assinado.

Os clínicos alegaram "degradação contínua das condições de trabalho, quer em termos de falta de material, quer em termos de falta de pessoal", mas a administração da ULSLA reconhece apenas a carência de recursos humanos.

No que diz respeito aos chefes de equipa, Maria Joaquina Matos afirmou que os mesmos transitaram da anterior administração do HLA e que, portanto, não foram nomeados pelo atual conselho de administração da ULSLA, constituída há pouco mais de dois anos, pelo que, na prática, não podem "apresentar demissão".

A lista de novos chefes de equipa do SUMC é, aliás, segundo a responsável, um dos 16 assuntos que estão a ser analisados e discutidos desde março de 2013, uma vez que, a "alguns desses elementos" [os subscritores do abaixo-assinado], não é reconhecida, pelo diretor clínico, "capacidade de chefia".

Para a administradora, a ação dos médicos, que não confirmou se seriam 14 ou 16, representou "um alerta positivo" para o facto de o corpo clínico do HLA estar "permanentemente em esforço" para cobrir as falhas no SUMC.

Maria Joaquina Matos manifestou-se "tranquila" em relação à situação, tanto mais que, entre quinta-feira e hoje, a chefia das equipas de Urgência continuou a ser assumida pelos mesmos médicos.

Agora, a responsável da ULSLA pede "bom senso" para se "continuar a tentar resolver as coisas pela positiva", o que passa por "fechar" as 16 medidas de melhoramento em análise.

A administradora lembrou que a ULSLA, que integra todos os serviços de saúde dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, precisa de 186 médicos para assegurar o atendimento da população, mas dispõe apenas de 79.

É também por falta de médicos de Medicina Interna que o HLA não tem um diretor para o serviço de urgência, explicou.

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