Administração do Hospital Santo António preocupada com saída túnel de Ceuta
A administração do Hospital Santo António, Porto, manifestou hoje "enorme preocupação" com a saída do túnel da Rua de Ceuta, pelos efeitos nefastos que poderá ter para os doentes e restantes utentes da unidade de saúde.
O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) chumbou em Janeiro o projecto de expansão da saída do túnel rodoviário de Ceuta do Jardim do Carregal, junto ao Hospital Santo António, para a Rua D. Manuel II, frente ao Museu Soares dos Reis.
Segundo o IPPAR, o projecto interfere com a área de protecção do Palácio dos Carrancas, onde se encontra instalado o único museu nacional da cidade, provocando um impacte urbanístico "irreversível".
Numa carta enviada hoje à ministra da Cultura, Maria João Bustorff, o presidente do Conselho de Administração do Hospital Santo António, Sollari Allegro, apela a uma decisão que não afecte a unidade "e os milhares de cidadãos que a frequentam anualmente".
"Ao IPPAR parece escandaloso colocar uma saída a 50 metros de um museu, já não os incomoda fazer o mesmo junto a um hospital, igualmente monumento nacional", critica Sollari Allegro na carta.
O administrador recorda que o projecto inicial do túnel colocava a saída junto à face Norte do hospital, com uma rampa a terminar "onde diariamente se movimentam milhares de pessoas, centenas delas doentes e com dificuldades várias de mobilização".
"Fumo de escape, apitos das buzinas, dificuldade de circular, tudo parece normal a quem idealizou tal projecto", salienta Sollari Allegro, para quem a extensão decidida pelo actual executivo camarário "é mais racional, porque afasta o problema do hospital, resolve o nó górdio da circulação do projecto anterior e requalifica a envolvência do hospital, melhorando a circulação de superfície".
Logo após o "chumbo" pela Direcção Regional do IPPAR, a Câmara do Porto anunciou que iria pedir a reapreciação do processo pela Direcção Nacional do instituto.
"Está a autarquia já a tratar de resolver esta questão agora levantada - seis anos após o executivo camarário liderado pelo PS ter iniciado a obra que tem uma especial incidência junto do Hospital de Santo António, também ele património classificado", refere a autarquia em comunicado de 14 de Janeiro.
A Câmara do Porto recorda que o também classificado Museu Soares dos Reis, "com a autorização do mesmo IPPAR, tem hoje, na sua frente, um frondoso e espelhado edifício comercial".