Advogado de Bruno "Pidá" Pinto desconhece qualquer acusação de terrorismo
Porto, 19 Dez (Lusa) - O advogado Luís Vaz Teixeira, que defende Bruno Pinto (Pidá) e mais cinco dos onze detidos no âmbito da operação "Noite Branca" sustentou hoje que a alegada acusação de terrorismo deve ser produto de "algum engano".
"Deve haver algum engano, suponho que não há aqui nenhum detido acusado de terrorismo", afirmou o advogado aos jornalistas, ao chegar hoje ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, cerca das 10:00.
Confrontado com o facto de alguns dos advogados terem comentado a acusação de terrorismo, alegadamente feita pelo MP, o advogado estranhou a sua aplicação a este caso e considerou que "cada advogado pensa como quer, como pode e como sabe".
"Não estamos no Afeganistão, nem no Iraque, nem em qualquer país onde haja terrorismo", afirmou.
Luís Vaz Teixeira lamentou ainda as condições da sala reservada aos detidos no TIC/Porto, que considera "uma masmorra húmida, gelada e infecta, indigna até dos países do terceiro mundo".
"Os detidos são obrigados a comer no meio de excrementos", frisou Vaz Teixeira.
Disse ainda que eles tiveram que queimar papéis para, por momentos, escapar ao cheiro dos excrementos.
Inquirido sobre a possibilidade do seu cliente Bruno "Pidá" ficar em prisão preventiva, dado o tipo de crimes de que está indiciado e ser considerado como o chefe do alegado gangue da Ribeira, Luís Vaz Teixeira afirmou que "isso é o que muita gente diz, mas pode não ser assim".
"O meu cliente está deprimido", frisou.
Bruno "Pidá" foi ouvido terça-feira, durante três horas, pela juíza Anabela Tenreiro do 1º Juízo do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, tendo negado os crimes que lhe são imputados.
Está indiciado por dois homicídios consumados (do empresário Aurélio Palha e do segurança Ilídio Correia) e nove tentados.
A advogada Luísa Moreira Macanjo, que defende três dos cinco arguidos neste processo, disse aos jornalistas que os advogados foram convocados pela juíza Anabela Tenreiro para as 10:00.
No entanto, posteriores informações apontam o meio dia para se conhecer o despacho relativo às medidas de coacção de cinco dos detidos.
Segundo a advogada, estes cinco detidos que se encontram nas prisões privativas da PJ/Porto só deverão ser transportados para o TIC/Porto ao início da tarde.
Além de Bruno Pidá, conhecem hoje as medidas de coacção Mauro Santos, tido por seu braço-direito, Sandro Onofre, Fernando Martins "Beckham" e Ângelo Miguel Ferreira.
Entre os arguidos que terça-feira saíram do TIC sujeitos às medidas de coacção mínimas - termo de identidade e residência e/ou apresentação quinzenal às autoridades - contam-se João Gonçalves, suspeito de ter cedido uma carrinha usada no homicídio do empresário Aurélio Palha, a 27 de Agosto.
Paulo Aleixo, indiciado de envolvimento em associação terrorista e posse de arma, também saiu em liberdade, tal como José Marques Silva, Fábio Barbosa, Pedro Guerra e Fernando Cavadosa.
JAP/PF.