Advogados lançam petição para afastar Marinho Pinto
Uma centena de advogados lançou uma petição para discutir a conduta e afastamento de Marinho Pinto. A petição lançada aos 26 mil inscritos na
Ordem dos Advogados defende a renúncia do bastonário. Marinho Pinto diz que nenhuma petição o destituirá de bastonário da Ordem dos Advogados.
A petição procura ainda anular o projecto entregue por Marinho Pinto ao Governo para a revisão do estatuto da classe.
Marinho Pinto já disse que considera a assembleia-geral extraordinária ilegal e insta os advogados a respeitarem o resultado de eleições democráticas.
O bastonário sustenta que nenhum regulamento da Ordem permite esta tentativa de afastamento e acusa José António Barreiros de liderar um golpe de Estado contra si.
Marinho Pinto vai ainda avançar com o pedido de extinção dos conselhos distritais, o que Rogério Alves considera ser um passo que irá abrir nova guerra.
Marinho Pinto debaixo de vários fogos
Numa outra frente, um grupo de causídicos de duas das maiores sociedades de advogados prepara-se para avançar com uma queixa-crime contra Marinho Pinto.
Em causa estão as declarações do bastonário, que referiu advogados especializados em crime económico que ajudam clientes a praticar crimes.
As principais distritais da Ordem também pedem a demissão de Marinho Pinto. Referem as distritais que o bastonário está constantemente a ofender a dignidade da classe.
Marinho Pinto aponta o dedo a alguns advogados
A meio da semana, durante a celebração do Dia do Advogado, o bastonário lamentava a "prática de ilegalidades gravíssimas" de uma "minoria" de causídicos e apontava o dedo a advogados que "andam por ai a propalar valores, a falar como se fossem a reserva moral da advocacia" quando "andam a contas com a Justiça por suspeitas de práticas de ilegalidades gravíssimas".
Numa declaração à margem da sessão comemorativa, no salão da Câmara Municipal de Portalegre, o bastonário da Ordem dos Advogados retomou denúncias que já havia proferido na TSF, tendo então referido "indícios de que alguns advogados ou alguns escritórios são quase especialistas em ajudar certos clientes a praticar determinado tipo de delitos, sobretudo na área do delito económico".
"O Dia do Advogado é um dia óptimo para dizer isso. É o dia adequado para fazer essa denúncia e dizer ao povo português que pode confiar na maioria dos advogados", declarou Marinho Pinto, atribuindo à sua Ordem a tarefa de denunciar essa minoria que pratica "ilegalidades".
"Noventa e nove vírgula nove por cento dos advogados são honrados, não merecem estar a ser tratados pela opinião pública como se fossem iguais a uma minoria que anda aí a abusar descaradamente das suas prerrogativas e que auxiliam alguns clientes a cometer crimes", lamentou.
No contacto com os jornalistas, o bastonário contornou o desafio para apontar os casos concretos que perpassavam pelo seu discurso, deixando apenas que "alguns estão presos, outros até fugiram para o estrangeiro, outros estão a contas com a Justiça, outros estão condenados a prisão efectiva e esperam que as decisões transitem em julgado".