Advogados oficiosos com casos longos passam a receber pagamentos intercalares

Advogados oficiosos com casos longos passam a receber pagamentos intercalares

A ministra da Justiça anunciou hoje no parlamento que já assinou a portaria que vai permitir pagamentos intercalares aos advogados oficiosos, evitando que em processos longos tenham que esperar pelo seu fim para ser pagos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Na audição parlamentar de discussão na especialidade do próximo Orçamento do Estado, Rita Alarcão Júdice disse que no sistema de acesso ao direito o executivo pretende "assegurar maior previsibilidade nos pagamentos, com o objetivo de um prazo médio de 30 dias após a receção e confirmação dos serviços pelos tribunais", assim como introduzir novas garantias para os advogados oficiosos com processos longos.

"Queremos também responder a uma dificuldade há muito sentida por quem presta apoio judiciário em processos longos nos quais tem de esperar pelo fim do processo para ser pago pelo trabalho realizado. Vamos passar a permitir pagamentos intercalares nesses processos. Assinei hoje mesmo a Portaria que regulamenta esta matéria", disse a ministra.

A governante adiantou ainda na audição que a tabela de pagamentos aos advogados oficiosos vai também passar a incluir atos que até agora não estavam previstos.

A audição ficou ainda marcada por uma intervenção da deputada socialista Isabel Moreira, que classificou como "uma das afirmações mais graves feitas por este Governo" a declaração na terça-feira do secretário de Estado da Administração Interna e Imigração.

Rui Armindo Freitas, no parlamento, avisou que aqueles que participam nas manifestações pelo direito à habitação e não respeitem a lei dos estrangeiros podem ter as suas autorizações de residência canceladas, "não por se manifestarem", mas por poderem "colocar em causa a ordem pública".

Isabel Moreira sublinhou as críticas que juntaram advogados e técnicos da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), considerou a declaração "politica e democraticamente intolerável".

Considerando tratar-se, não apenas de "uma declaração infeliz", mas sim de "uma conceção autoritária de poder", a deputada pediu à ministra da Justiça que clarificasse que o direito constitucional à manifestação não distingue entre portugueses e estrangeiros e que ordens de expulsão só podem ser dadas por um juiz.

João Almeida, do CDS-PP, reagiu à intervenção da deputada afirmando que o secretário de Estado, quando proferiu as declarações, deixou claro que não haveria lugar a ordens de expulsão automáticas.

Já a ministra acabaria apenas por reiterar o princípio enunciado por Isabel Moreira, de que ministros e secretários de Estado não pode expulsar estrangeiros do país e que essa decisão compete a um juiz.

Questionada pelo Chega sobre a instalação dos inibidores de sinal de comunicações de telemóveis e drones nas prisões e sobre o facto de esse equipamento ainda só existir em Vale de Judeus sem estar em funcionamento, Rita Alarcão Júdice respondeu que a extensão a toda as prisões representa "um investimento muito avultado".

"É muito caro. Não vou replicar este sistema sem ter a certeza que funciona", disse a ministra, referindo que os testes em Vale de Judeus estão a correr bem e que espera em breve ter novidades.

Ainda sobre o sistema prisional, a ministra reafirmou a intenção de encerrar o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) até 2028, como previsto, e de encerrar a ala E já este ano, momento no qual disse querer participar.

"Em 2027 acredito que conseguimos encerrar uma segunda ala. O grande desafio é acelerar as demais. Vou continuar a lutar para que encerramento seja em 2028, se resvalar para o primeiro trimestre de 2029 não virá mal ao mundo. Para mim é um compromisso de honra e político poder encerrar o EPL nesta legislatura", disse.

Sobre a construção de novas prisões, a ministra disse que o Ministério da Justiça terá um plano, mesmo que já não seja este Governo e esta legislatura a executá-lo, mas que obrigará necessariamente a outro tipo de abordagem, com aproveitamento de estabelecimentos prisionais já existentes e construção numa lógica de concentração, ou seja, menos estabelecimentos, mas maiores, com capacidade para mais reclusos.

Em resposta à deputada do PCP Paula Santos, a ministra recusou ainda a abertura de um curso extraordinário de formação de magistrados de procuradores, como pretende o Ministério Público (MP), por questões de igualdade, uma vez que responder a esse pedido implicaria aceitar ter um curso encurtado, o que colocaria em causa também a qualidade da formação exigida e prestada.

Sublinhou ainda que nos últimos cursos de formação do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) se privilegiou o MP, tendo praticamente sido duplicado o número de vagas para futuros procuradores.

 

 

Tópicos
PUB