Afinsa - Detenção de Albertino de Figueiredo causa surpresa entre portugueses
A detenção do empresário luso-espanhol Albertino de Figueiredo, presidente honorário do grupo AFINSA, que conjuntamente com o Fórum Filatélico foi alvo de uma operação anti-fraude, manifestaram-se "surpreendidos" e "chocados" com o caso.
Amigos pessoais do empresário, contactados pela agência Lusa em Madrid, e outros cidadãos portugueses residentes à longa data em Espanha falam de um homem de negócios "respeitado profissional e pessoalmente", sem grandes manifestações de riqueza exterior e envolvido em vários projectos sociais e culturais.
O actual presidente da Comissão Executiva da Câmara de Comércio hispano-portuguesa, cargo para que foi convidado no intuito de ajudar a reavivar a instituição, é conhecido pela sua acção junto da comunidade portuguesa e através da Fundação que criou, como o seu nome.
Entre os projectos que apoia destaque para uma cátedra na Universidade de Santiago de Compostela.
Um português que reside em Espanha há 36 anos e que se considera "amigo íntimo" do presidente honorário do Grupo Afinsa - um dos nove detidos que deverão ser apresentados quinta-feira a um juiz em Madrid -, admite que as notícias do caso o surpreenderam "muito desagradavelmente".
"É uma pessoa muito estimada e que estimo muito, que não manifestava ostensivamente a riqueza e que partilha o seu padrão de vida com os amigos, sempre com muita simplicidade", explicou à Lusa.
O cidadão português explica que Albertino de Figueiredo mantinha em Espanha uma extensa rede de contactos, envolvendo-se em vários sectores da sociedade, incluindo participações em redes de apoio ao Museu do Prado e ao Museu Rainha Sofia.
"A sua acção empresarial no ramo é igualmente impressionante. Basta lembrar que ele comprava 70 por cento de todas as emissões de selos de Portugal, beneficiando depois de uma forte rede de comercialização ao nível mundial", frisou.
Manuel Pereira Ramos, presidente do Fórum dos Portugueses em Madrid, mostra-se igualmente surpreendido com as notícias que envolvem a Afinsa e o Fórum Filatélico numa fraude que segundo as autoridades pode envolver mais de quatro mil milhões euros e até 350 mil pessoas.
"Sempre me pareceu uma pessoa muito amável, trabalhadora, que construiu uma grande empresa do nada, sempre com preocupações com os empregados e que merece o meu maior respeito", disse.
Pereira Ramos mostra-se igualmente surpreendido com os contornos do caso, referindo que a pouca informação conhecida para já "é confusa", que faltam "muitos pormenores" e que "é necessário ouvir todas as partes".
"A verdade é que nenhum cliente ainda se tinha queixado de quais problemas com a empresa", relembrou.