Agência de viagens espanhola estraga férias a milhares de portugueses

Os funcionários da Marsans apontam para até cinco mil portugueses lesados nas suas férias na sequência da falência da agência de viagens. Os próprios trabalhadores das 30 lojas em Portugal não receberam o salário de Junho ou o subsídio de férias, devendo reunir-se esta segunda-feira para decidir uma estratégia depois de terem sido "abandonados" pela casa-mãe.

RTP /
"Há aqui coisas que têm de ser investigadas e que merecem ser investigadas", afirmou Vera Jardim, provedor do cliente das agências de viagem DR

O escândalo rebentou este fim-de-semana, quando os clientes deram conta que apesar de já terem procedido à totalidade do pagamento das viagens de férias não lhes foi permitido o levantamento de vouchers ou bilhetes de embarque.

A espanhola Marsans, que tinha três dezenas de lojas em Portugal, não deu qualquer explicação sobre o encerramento nem devolveu o dinheiro aos clientes. Quem tentou levantar as reservas no sábado e no domingo encontrou as 30 dependências encerradas.

Admite que a situação é complexa, o provedor do cliente das agências de viagem já garantiu que o caso iria ser investigado. Vera Jardim admite no entanto que a situação é complexa.

"Há aqui coisas que têm de ser investigadas e que merecem ser investigadas. Quais as circunstâncias em que isto acontece e porquê", afirmou Vera Jardim em declarações à RTP, admitindo para já que o valor da caução a que as agências estão obrigadas para poder exercer actividade poderá não cobrir o reembolso de todos os clientes lesados.

Director espanhol incita a cobranças urgentes

O Jornal de Notícias conta este fim-de-semana que José Vicente, novo director-geral da Marsans Lusitana, terá ordenado no início da semana passada para que as lojas começassem a cobrar aos clientes com reserva a totalidade das viagens. Posteriormente instruiu os funcionários para que depositassem todo o dinheiro que houvesse em caixa, partindo para Espanha na quinta-feira, mandando encerrar os balcões na sexta.

Ouvido pela Agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo manifestou-se preocupado e surpreendido com esta situação, acrescentando João Passos que "isto é uma atitude que configura algo nunca visto, mas na realidade não pode efectivamente fazer rigorosamente nada".

"As pessoas lesadas têm três hipóteses: podem recorrer para o Provedor, para o Turismo de Portugal e para a Justiça", acrescentou este responsável, para acrescentar que lhe compete enquanto presidente da APAVT "ilibar os operadores de qualquer responsabilidade".

"A responsabilidade vai inteirinha para a rede de agências Marsans. Porque a rede de agências Marsans, segundo parece, terá recebido dos clientes e não pagou. Além dos clientes, os operadores também são atingidos por esta atitude que foi tomada pela rede de agências Marsans", explicou.

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