Agência europeia adia para Julho decisão sobre nimesulida

A Agência Europeia do Medicamento adiou para Julho uma decisão sobre a manutenção ou suspensão de produtos que contenham nimesulida, estando a analisar novos dados científicos, anunciou hoje.

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Após a reunião desta semana, o Comité dos Produtos Médicos para uso Humano [CHMP na sigla inglesa] confirmou que está a rever a segurança do uso de medicamentos devido à preocupação com alegados danos no fígado.

"O CHMO está agora a analisar os dados científicos disponíveis sobre a nimesulida para chegar a uma opinião científica em Julho de 2007 sobre se as autorizações para venda da nimesulida devem ser mantidas, alteradas, suspensas ou revogadas nos Estados membros onde é comercializada", anunciou em comunicado.

A agência decidiu voltar a discutir este assunto depois de todos os medicamentos com nimesulida terem sido suspensos na Irlanda.

A nimesulida é um anti-inflatamório não esteróide, usado nomeadamente no combate às dores agudas.

O medicamento foi retirado no final da semana passada do mercado irlandês devido a reacções hepáticas adversas, mas em Portugal as autoridades anunciaram que só tomaria uma decisão depois da reunião de hoje do EMEA.

A nimesulida, substância activa de um anti-inflamatório para o reumatismo, entre outras doenças, campeã de vendas em Portugal, foi recentemente associada a casos de falha hepática na Irlanda, facto que levou a autoridade do medicamento nesse país a retirá-la do mercado.

Em Portugal, de acordo com informações na imprensa, há um caso mortal relacionado com aquele medicamento mas sem a garantia de que tenha sido o agente causador da morte do paciente.

Não é a primeira vez que a segurança da nimesulida é posta em causa.

Já em 2004, a autoridade portuguesa do medicamento - o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) - emitira uma circular informativa em que reconhecia que "o risco de ocorrência de reacções adversas hepáticas associadas à administração da nimesulida é talvez o principal problema de segurança deste medicamento".

No "top" dos cinco anti-inflamatórios reumatismais mais vendidos em Portugal, a nimesulida ocupa o primeiro lugar, com 22 por cento do mercado, sendo seguida pelo etoricoxib (20 por cento), o diclofenac (19 por cento), o iboprofen (13 por cento) e o celecoxib (oito por cento).

A nimesulida é um medicamento anti-inflamatório não esteróide (AINE), com acção analgésica, que actua através da inibição da enzima ciclooxigenase, a responsável pela síntese das prostaglandinas.

Os medicamentos contendo nimesulida encontram-se aprovados em Portugal desde 1985, sendo vendidos apenas mediante receita médica.

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