Agredido junto ao estádio de Guimarães admite processar o agente da PSP

As imagens chocaram o país. A agressão de um agente da PSP a um adepto do Benfica, em frente aos filhos logo a seguir ao jogo com o Vitória de Guimarães, levou o Ministério da Administração Interna a abrir um inquérito. O benfiquista José Magalhães negou ter "insultado ou cuspido" o comandante da investigação criminal de Guimarães, acrescentando que vai processar o polícia.

RTP /
Foto: José Sena Goulão/Lusa

O adepto José Magalhães disse que foi obrigado a sair do estádio porque o filho de 9 anos apresentava sintomas de desidratação.

O cidadão agredido no domingo nas imediações do estádio de Guimarães por um oficial da PSP foi esta manhã de segunda-feira presente ao juiz do Tribunal Judicial de Guimarães, declarando à saída a sua intenção de processar o polícia.

Falando à saída do tribunal, o adepto encarnado José Magalhães negou ter "insultado ou cuspido" o comandante da investigação criminal de Guimarães, Filipe Silva.



Segundo o auto da detenção da PSP de Guimarães, citado pelo jornal Expresso, o homem injuriou o subcomissário envolvido nas agressões, ameaçou-o e cuspiu-lhe na cara, adotando um comportamento sempre hostil.

Na versão de José Magalhães, o incidente deu-se após ter abandonado o estádio para fugir do ambiente de fumo e de agitação que se vivia nas bancadas após o final da partida.



"Com os meus filhos a darem sinais de perturbação e de desidratação, dirigi-me para a saída do estádio onde quatro agentes, que estavam do lado de fora, me trataram de forma afável e compreensiva - a mim, aos meus dois filhos e, posteriormente, ao meu pai, quando lhes disse ser o avô deles", disse.

"Já no exterior, uma senhora, percebendo que o meu filho estava mal, ofereceu uma garrafa de água, após o que aquele agente se dirigiu a mim a perguntar o que se passava, por que estava ali e porque saíra de lá de dentro. Quando estava a explicar-lhe o que se passava dentro do estádio, ele veio para cima de mim à bastonada. E o pânico foi geral. Vi-o a bater no meu pai, ficando os miúdos numa aflição geral", acrescentou.

Negando ter cometido alguma injúria para com o graduado da força policial, José Magalhães, que se apresentou no tribunal acompanhado pela advogada Sónia Carneiro, afirmou sentir-se "muito preocupado por essas acusações surgirem do interior da PSP".

"Não me posso acobardar perante tamanha injustiça", sublinhou José Magalhães, a quem apenas interessa "divulgar o que acontecer".

O Ministério Público determinou já a abertura de um inquérito de investigação criminal a este caso, que foi registado em vídeo por uma equipa da Correio da Manhã TV (CMTV).

Quanto ao agente que se vê nas imagens a consumar a agressão, a PSP revelou hoje que lhe vai mover um processo disciplinar. O próprio Ministério da Administração Interna já tinha anunciado a abertura de um inquérito às agressões em Guimarães.
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