Águas do Porto quer despoluir ribeiras da cidade até 2009

A empresa municipal Águas do Porto (AP) anunciou que pretende despoluir as ribeiras da cidade até 2009 através da ligação de 25 mil fogos à rede de saneamento, o que representará um investimento de 10 milhões de euros.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Em conferência de imprensa, o presidente da Comissão de Reestruturação da AP, Poças Martins, afirmou que a ligação destes 25 mil fogos à rede de saneamento resolve o problema de poluição das ribeiras do Porto.

"Com isto efectuado, resolvemos o problema das ribeiras", frisou, acrescentando que este projecto de reabilitação inclui "todas aquelas ribeiras que estão viradas para o mar, a ribeira da Asprela e a ribeira da Granja".

Poças Martins disse ser também "essencial" neste processo a vontade política e a existência de uma articulação entre os concelhos por onde passam estas ribeiras para resolver o problema.

O Porto tem muitas ribeiras, encontrando-se a maioria entubadas em toda ou grande parte da sua extensão.

De acordo com a AP, as ribeiras recebem descargas de águas pluviais poluídas e ligações directas de águas residuais e, em troços visíveis de algumas delas, a poluição é notória.

A empresa municipal salienta ainda que "há casos graves de estrangulamentos no traçado, responsáveis por inundações a montante, e que há mesmo prédios construídos sobre ribeiras".

Para a AP, as responsabilidades sobre as ribeiras são partilhadas entre várias entidades e há muitas outras que têm vindo a utilizá-las abusivamente, poluindo-as, obstruindo-as, betonando as suas margens ou mesmo entubando-as.

O projecto da empresa para a reabilitação das ribeiras, anunciou Poças Martins, passa por "privilegiar a acção no terreno, identificar os grandes poluidores, despoluir de cima para baixo (de montante para jusante) e monitorizar secções do rio para avaliar resultados".

O objectivo é renaturalizar as ribeiras onde for possível, apesar de Poças Martins admitir que se trata de uma intervenção "praticamente impossível no Porto, porque é já demasiado tarde para voltar as sistema inicial", reabilitar ou requalificar o que está degradado, como entubamento, lixo, vegetação infestante e construção ilegal nas margens, e transformar de forma cuidada e planeada as margens para uso agrícola, industrial ou urbano.

A ribeira da Asprela, conhecida também como ribeira do Picoto ou da Manga, nasce no Porto e segue em direcção a Matosinhos, com 3,7 quilómetros de extensão, dos quais 2,4 entubados.

A prioridade da AP é despoluir a Asprela para "entregar água com qualidade a Matosinhos", disse Poças Martins, acrescentando que esta ribeira terá até ao final do ano as margens limpas.

Relativamente à ribeira da Granja, que nasce em Matosinhos e entra no Porto, junto à Circunvalação, Poças Martins advertiu que "os poluidores vão ter a vida muito mais dificultada", uma vez que a AP, em colaboração com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN) e a GNR, vai ter "gente no terreno para vigiar troços abertos".

Poças Martins alertou ainda para o facto desta intervenção nas ribeiras só ter sucesso com a ajuda da população.

"Vamos tentar convencer e mobilizar as pessoas para alterar a situação", reconheceu.

O responsável disse ainda que o investimento de 10 milhões de euros beneficiará do apoio de fundos comunitários.

Na ocasião, o vereador do Ambiente da Câmara do Porto, Álvaro Castello-Branco, afirmou que "não é aceitável" o actual estado de degradação e poluição das ribeiras e que, a partir de agora, estão criadas "todas as condições para finalmente se agir".

O vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Lino Ferreira, também presente nesta apresentação do projecto de reabilitação das ribeiras, garantiu que o seu pelouro estará "particularmente atento" a construções sobre ribeiras.

"Todas as urbanizações novas serão vistas com muito cuidado de forma a não estrangularem e não inviabilizarem" as ribeiras, para que possam ser utilizadas pelas populações, acrescentou.

Álvaro Castello-Branco adiantou que a autarquia dispõe já de um estudo elaborado pela Faculdade de Engenharia do Porto para a reabilitação do Rio Tinto, que atravessa os concelhos de Valongo, Gondomar, Maia e desagua no Porto, e que levará o assunto ao conselho metropolitano de vereadores do Ambiente.

O vereador referiu que o objectivo é criar um grupo de trabalho que se mobilize em torno da despoluição do rio Tinto.

"O grande poluidor do rio Tinto é o concelho de Gondomar", disse, acrescentando que os problemas advêm sobretudo de problemas de funcionamento de uma estação de tratamento de águas residuais daquele concelho.

"Existe uma vontade grande para despoluir este rio e a CCDRN terá também um papel importante nesta matéria", concluiu o vereador.

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