Aguiar-Branco aponta obstáculos formais e culturais que ainda afetam as mulheres
O presidente da Assembleia da República afirmou hoje que subsistem obstáculos formais e culturais que dificultam a participação das mulheres na sociedade e frisou que esses desafios convocam todos os cidadãos em defesa da igualdade de género.
Uma iniciativa que reuniu mulheres que têm percursos considerados de excelência, casos da fadista Kátia Guerreiro, da astrobióloga Zita Martins, da médica Mariana Couto Bártolo (primeira médica surda em Portugal), da enfermeira paraquedista Maria Arminda Santo (uma das primeiras nas Forças Armadas Portuguesas) e da treinadora de voleibol Adelaide Patrício, de 88 anos.
Na sua intervenção, o presidente da Assembleia da República realçou que estas cinco mulheres representam "cinco vidas inspiradoras em áreas muito diversas" e defendeu que o Dia Internacional da Mulher "não é só uma data de celebração".
"É também uma data de compromisso e de exigência. Sabemos que em vários pontos do mundo os direitos humanos e a igualdade entre homens e mulheres ainda são princípios por concretizar. E também em Portugal, onde tanto caminho já se andou, continua a haver muitos desafios", observou.
O presidente da Assembleia da República advertiu depois que continuam a existir "obstáculos formais e, sobretudo, culturais que dificultam a participação pública das mulheres".
"A sub-representação em cargos decisórios, o equilíbrio entre trabalho e família, ou o drama da violência doméstica são desafios que nos convocam a todos, mulheres e homens, e que nos devem interessar a todos e que afetam a nossa sociedade como um todo", sustentou.
No início da sua intervenção, José Pedro Aguiar-Branco falou sobre o seu percurso na política e referiu ter pessoalmente acompanhado "a primeira mulher que presidiu a um partido político em Portugal [o PSD], a senhora doutora Manuela Ferreira Leite".
"E estive no parlamento, como ministro, em plenários presididos pela primeira mulher presidente da Assembleia da República, a senhora doutora Assunção Esteves. Por isso, posso testemunhar, na primeira pessoa, a diferença que faz haver mulheres na política", declarou.
Para Aguiar-Branco, a participação das mulheres na política, não é apenas "um direito seu, como cidadãs livres da República, mas, também, porque as mulheres acrescentam um contributo próprio que beneficia a todos".
"Eu próprio tenho sido beneficiário e, portanto, não é por uma questão meramente formal ou de cortesia, é porque realmente acrescentam valor", acentuou.