Alberto João Jardim diz que autonomia ainda não alcançou "a dimensão ideal"

Alberto João Jardim diz que autonomia ainda não alcançou "a dimensão ideal"

O ex-presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim considera, na altura em que se assinalam os 50 anos da autonomia, que o processo "ainda não atingiu a dimensão ideal" e que há muito por fazer.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
António Antunes - RTP

Alberto João Jardim foi eleito deputado nas primeiras eleições legislativas regionais, que se realizaram em 27 de junho de 1976, e tornou-se no segundo presidente do Governo da Madeira em 16 de março de 1978, sucedendo a Jaime Ornelas Camacho. Desempenhou o cargo durante 37 anos, até 2015.

Camacho solicitou a exoneração do cargo dois anos depois de ter sido empossado, sendo substituído Jardim.

"Como ator há mais tempo em palco na luta pelo reconhecimento da autonomia política, que ainda não atingiu a dimensão ideal, que é direito do povo madeirense, deixo esse balanço para a opinião pública atual e para o julgamento da História", referiu o social-democrata à agência Lusa, escusando-se a fazer uma avaliação do processo autonómico na Madeira.

O também ex-líder do PSD/Madeira recordou que, "face às condicionantes históricas civilizacionais e culturais que fizeram a Nação Portuguesa, o processo foi de luta política permanente".

"[Tudo decorreu] dentro das fronteiras da nacionalidade e do esforço para compreender os adversários que surgiram pelo caminho, respeitando quem nos respeitou e respeita", considerou.

Questionado sobre os aqueles que foram os seus piores momentos no decurso deste tempo, elegeu as enxurradas de 2010 e a morte de um profissional da comunicação social durante uma visita oficial às comunidades madeirenses.

A aluvião de 20 de fevereiro de 2010 afetou sobretudo os concelhos do Funchal, Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Santa Cruz, deixando um rasto de devastação: provocou 47 mortos, quatro desaparecidos, cerca de 250 feridos e 600 desalojados, além de elevados prejuízos materiais que levaram à criação de uma Lei de Meios na ordem dos 1.040 milhões de euros para a reconstrução.

Já sobre os melhores momentos, destacou a "mudança de mentalidades que se operou na Madeira".

"E hoje ir na rua e as pessoas me tratarem bem, pese embora tanto tempo de governação à minha responsabilidade", complementou.

Quanto à perceção de que a República tem das autonomias regionais, lembrou que esta é "formada por pessoas e por instituições do mais variado tipo".

"Não sou igualitarista, por formação. Nas pessoas e nas instituições há de tudo", reforçou, opinando que "aos políticos autonomistas cabe a obrigação de saberem distinguir o trigo do joio".

Falando sobre o futuro da autonomia, Alberto João Jardim sustentou que "falta tanto" para fazer e existem temas muito importantes pendentes: "começa pela necessidade inadiável de uma revisão constitucional".

No seu entender, a História tem provado, sobre a figura do ser humano madeirense, a "capacidade de resistente/vencedor mesmo quando oprimido ou obrigado a emigrar".

"Por isso, acredito nas gerações que se seguem, como acredito nos meus filhos, como acredito nos meus netos", concluiu.

Hoje com 83 anos, Jardim deixou de ser presidente do executivo madeirense em 2015, sendo substituído por Miguel Albuquerque, mas mantém-se ativo sendo orador em conferências, escrevendo livros e artigos de opinião, comentando a atualidade política e até participando em filmes como ator convidado em produções regionais.

 

 

Tópicos
PUB