Alcoólicos Anónimos ajudam cerca de 1.000 pessoas em Portugal

Cerca de mil pessoas em Portugal mantêm-se actualmente sóbrias "um dia de cada vez" com a ajuda da organização Alcoólicos Anónimos (AA), que segunda-feira assinala o seu dia nacional.

Agência LUSA /

Do total de membros, perto de 250 trabalham voluntariamente na associação, que preza o "anonimato dos seus membros, mas não o secretismo", segundo a definição feita à agência Lusa por alguns membros do Conselho de Serviços Gerais dos AA.

As excepções ao anonimato são os dois membros não alcoólicos do Conselho, que servem de face à organização "depois de terem visto muitos milagres".

A outra pessoa não alcoólica da organização é a única funcionária paga da estrutura, que realiza "todo o trabalho de escritório e mais algum", na sede localizada em Lisboa.

"Quem manda nos AA são os grupos", resumiram dois membros do Conselho, denominados custódios, para definir o organigrama dos AA em forma de pirâmide invertida.

Em Portugal, os cerca de 90 grupos, localizados maioritariamente no litoral, são o "coração" dos AA, seguindo- se 10 assembleias locais, onde são escolhidos delegados para participarem na Conferência de Serviços Gerais.

Esta conferência realiza-se anualmente durante três dias por altura da Páscoa para tomar as "decisões radicais" e eleger bianualmente os 10 custódios.

A auto-suficiência imposta em cada nível da associação obriga até ao pagamento de uma renda às igrejas que cedem as salas para reuniões e ao limite dos donativos voluntários de cada membro até 1.000 euros anuais.

"E pensar que antes [da entrada para os AA] nem conseguíamos governar a nossa casa e agora conseguimos fazê- lo numa estrutura...", felicita-se um dos custódios, num discurso completado por um dos pioneiros da associação: "e somos pontuais. As nossas reuniões começam e acabam a horas".

Um desabafo há 27 anos junto de um familiar alcoólico internado levou este homem a contactar um cidadão norte- americano já ligado aos AA, a aderir e a fundar os primeiros grupos.

Na base dos AA está o objectivo de "levar a mensagem aos alcoólicos que ainda sofrem, como se de uma grande mesa se tratasse. Cada um tira o que precisa e depois coloca a sua experiência para os outros a utilizarem", refere um custódio.

Hoje em dia os grupos são fundados com apenas "duas pessoas e uma cafeteira cheia de café", garantem os membros do Conselho, em tom bem-humorado.

Os alcoólicos chegam a esta organização "espiritual e não religiosa" voluntariamente, encaminhados por profissionais de saúde ou mais recentemente por decisão judicial.

Mas a sua permanência depende apenas do "querer de cada um", uma vez que está fora das funções dos AA a prevenção, o controlo ou julgamentos.

Para os AA, o "querer" leva cada um a aceitar o seu passado e a adoptar a frase mais emblemática da associação:

Schamo-me `X` e sou alcoólico".

PUB