Alcoutim, Penamacor e Idanha têm maiores percentagens de casas com idosos sós, mas garantem mais atenção
Os autarcas dos concelhos com maior percentagem de casas onde vivem idosos sozinhos garantem que, apesar dos números, os serviços municipais e a população acompanham melhor estas situações do que nos grandes centros.
Alcoutim, na serra algarvia, Penamacor e Idanha-a-Nova, na Beira Baixa raiana, são os três concelhos que lideram a lista divulgada na sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base nos dados dos Censos 2011.
De acordo com o INE, cerca de 400 mil idosos vivem sós em Portugal.
Em Alcoutim, 24,8 por cento dos alojamentos familiares é habitada por uma pessoa idosa (65 ou mais anos de idade) que vive sozinha.
Ou seja, em média, quem bater a quatro portas, pelo menos numa vai encontrar um sénior só, mas o presidente da Câmara, Francisco Amaral, garante que os serviços de ação social do município "já inventariaram todos os casos".
O município "acompanha de perto as situações" e privilegia as parcerias com outras entidades, nomeadamente instituições particulares de solidariedade social (IPSS), GNR e centros de saúde, para fornecer os serviços necessários.
Segundo o autarca, a articulação entre entidades é especialmente importante face às dificuldades das contas públicas.
Francisco Amaral é otimista e acredita que "já há jovens a regressar às povoações dispersas pela serra algarvia, invertendo a desertificação e o envelhecimento", alguns obrigados a procurar outras paragens por causa da crise.
No concelho de Penamacor, a percentagem de alojamentos onde vive apenas uma pessoa idosa está umas décimas abaixo de Alcoutim: 24,2 por cento.
O vice-presidente, António Cabanas, considera que o tema tem sido "mediático", por terem sido encontrados idosos mortos em cidades, passados dias e até meses do falecimento, resultado de abandonado total.
No interior ou no meio rural, "não é bem assim", assegura o autarca.
Muitos idosos preferem viver sozinhos nos seus terrenos "em vez de se mudarem para instituições", mas "estão sempre acompanhados por vizinhos, equipas de apoio domiciliário ou outras entidades", sublinha.
António Cabanas defende a criação de mais lares e centros de dia e, neste âmbito, destaca a ambição da Câmara de Penamacor de edificar um hospital de cuidados continuados.
O vice-presidente da autarquia diz que o problema de fundo reside no facto de o Estado "não olhar para o interior como devia: fala-se muito em desenvolvimento nas campanhas eleitorais, mas depois os governos fazem orelhas moucas aos apelos do interior".
Também em Idanha-a-Nova, o presidente da Câmara, Álvaro Rocha, garante que "os números frios podem ser uma realidade em Lisboa ou no Porto, em que o vizinho do lado esquerdo não conhece o do lado direito, mas aqui não é assim".
No concelho, de acordo com o INE, 23,5 por cento das habitações familiares são ocupadas por um único idoso, ou seja, "estão isolados nas estatísticas, mas de modo algum essa é a situação na prática, porque todos os dias há um vizinho ou outra pessoa que os contacta. Isso faz parte deste meio".