Aldeia de Canal cercada por árvores caídas demorou mais de uma hora a ser assistida
Canal, Santarém, 09 Abr (Lusa) -- A aldeia de Canal, em Santarém, demorou mais de uma hora a ser assistida pelos bombeiros depois do mau tempo que se abateu sobre a zona, destruindo várias árvores em seu redor.
"Os bombeiros, coitados, não puderam vir mais depressa porque as estradas estavam todas cortadas", explicou Etelvina Pedro que ainda viu o "remoinho de vento preto" que se abateu sobre a aldeia de Canal.
"Felizmente não houve feridos porque ainda era muito cedo e não havia gente na rua", desabafou Dília Lopes, enquanto olhava para a sua casa destruída pelo vento e pela chuva.
"Na cozinha, chove como se fosse na rua", disse, apontando para aquela que tem sido a sua casa há 16 anos.
Etelvina Pedro tem dos dois carros danificados pelas telhas que voaram vários metros e num dos casos o símbolo da marca foi mesmo arrancado, um sinal da violência do vento.
A cobertura de uma sucateira voou centenas de metros e passeou-se sobre as coberturas das casas, destruindo sem critério os telhados da aldeia.
Esse foi, afinal, o trabalho principal dos bombeiros que tiveram de cortar com o maçarico os destroços desse telhado que, em alguns casos, ficou espetado nas paredes das casas.
As ruas da aldeia estavam pavimentadas com destroços, pedaços de telha e de coberturas de casas e era muito difícil encontrar alguma habitação que não tenha sido danificada pelo mau tempo.
Um pouco mais abaixo, Manuel Neves Louriceira, proprietário de uma carpintaria, é a cara do desalento perante a destruição total da sua fábrica para móveis.
"Ficou tudo destruído. Este pavilhão foi à vida, o ferro dobrou e caiu sobre a madeira", desabafou este empresário que se vê a braços com prejuízos "insuportáveis", até porque não tem seguro.
"Aqui há uns anos, tive um fogo e depois nunca mais tive seguro porque a companhia não o quis renovar. Anda um homem a querer fazer seguros e depois não pode", desabafou.
Para Manuel Louriceira, a solução deve passar por "algum tipo de apoio do Estado" a quem foi mais atingido.
"Tem de haver algum fundo de calamidade porque nós não temos culpa de nada e pagamos impostos como toda a gente", acrescentou.
Ramiro Reis, funcionário de uma serração vizinha, vai ficar uma cicatriz na cabeça para recordar este dia aziago mas o que lhe vai ficar mais na memória é o "barulho insuportável" do vento e da chuva.
"Só ouvíamos barulho e mais barulho. E só tivemos tempo para fugir daqui porque, caso contrário, ficávamos cá debaixo", disse.
PJA.
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